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Apesar de surtos de Covid, China afrouxa quarentena


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Pequim - Shenzhen e Xangai, duas das cidades mais importantes da China, hoje enfrentam o pior surto de Covid-19 desde a primeira onda da doença, entre o final de 2019 e o começo de 2020. Com novos surtos atingindo cidades vitais para a economia enquanto a maior parte do mundo volta ao velho normal, parte da população questiona o custo de manter a rigidez. E o regime dá sinais de afrouxamento, ainda que não admita no discurso oficial.

Um exemplo claro é Hong Kong, onde a chegada da variante ômicron atingiu em cheio uma população idosa pouco vacinada e elevou o número de mortes a uma média de 285 por dia no pior momento deste mês, em 14 de março.

O número de novos casos, após atingir um pico de mais de 65 mil por dia em média no começo do mês, começou a cair de forma acelerada a menos de 15 mil na última quinta (24). Neste sábado (26), foram 8.841 diagnósticos (contra 10,4 mil nas 24 horas anteriores) e 139 mortes. Cientistas pedem uma revisão da estratégia de Covid zero.

VACINAÇÃO

Na terça (22), Gabriel Leung, que comanda uma equipe de pesquisadores que aconselham o governo local, convocou jornalistas para pedir que a tática agora foque esforços não em lockdowns, mas na vacinação - antes que uma nova onda de casos "feche Hong Kong para sempre".

Os cientistas calculam que cerca de 60% da população de 7,5 milhões de habitantes da cidade tenha se contaminado nessa leva mais recente. Nesta semana, a cidade autorizou voos vindos de EUA, Reino Unido e Canadá, até então proibidos, e reduziu a quarentena obrigatória de 14 para 7 dias.

XANGAI

O combate à Covid em Xangai é liderado por Zhang Wenhong, respeitado cientista do país. No ano passado, ele foi ao Weibo, popular rede social chinesa, dizer que eventualmente a China deveria aprender a conviver com o vírus. Acabou fortemente atacado por internautas nacionalistas, que o acusaram de se deixar levar por ideias do Ocidente e de querer que as pessoas morressem.

O médico foi alvo de retaliações, e a Universidade Fudan reabriu uma investigação de plágio de sua tese de doutorado.

Símbolo da mudança dos ventos é que comentários semelhantes foram feitos neste mês por Zeng Guang, ex-cientista-chefe do CDC chinês, na mesma rede social.

 

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