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"Veni, vidi, vici"

Gilberto Sidney Vieira
| Tempo de leitura: 2 min

Pelé, 10 anos, sonhava muito em ser só um jogador profissional de futebol. Dondinho (seu pai) sonhava mais alto, queria o filho com diploma universitário.

Naqueles anos, um jogador de futebol auferia um salário aquém do que necessitava para sustentar uma família. Havia um divisor de águas entre dois sonhos: o do pai e o do filho. Mas há um vetusto adágio que diz: "...todo rio atinge seu objetivo (o mar) porque aprendeu a contornar os obstáculos...". Assim aconteceu.

Pelé encarou seu sonho e rejeitou o conformismo. Em 1956, 16 anos, partiu de maneira escoteira para jogar no Santos F.C. Alavancando uma meteórica ascensão no esporte bretão. 1958, 1962 e 1970 : Pelé torna-se tricampeão de futebol com a camisa da Seleção.

Em 1975, jogou no "Kosmos" (EUA). Pelé logrou realizar três sonhos: 1) ser jogador profissional; 2) de seu pai: Pelé com diploma universitário (educação física); 3) de sua mãe, Dona Celeste, que sonhava ver o filho poupando dinheiro.

Isto ela ensinou ao filho com firmeza. Alguns anos após, Pelé ergueu altíssimo prédio de apartamentos em Santos. Cujo nome é: "Residencial Dondinho".

Maria Lúcia (irmã de Pelé) reside lá. Ela e eu fomos discentes no famigerado Instituto de Educação Ernesto Monte. Permanece indelével na minha memória de como ela foi aferida pelos colegas que conviviam com ela na escola. Atributos: agradável nas maneiras e nas conversações, carismática, altruísta e sempre de bem com a vida.

Pelé foi ministro dos Esportes no governo Fernando Henrique Cardoso, de 2/1/1995 a 1/5/1998. A expressão latina "veni, vidi, vici" (vim, vi, venci) foi usada pelo general Júlio César em mensagem enviada ao senado romano em 47 A.C, para descrever a feérica vitória na batalha de Zela, derrotando Farnaces II, rei do Ponto.

Modernamente se usa tal expressão para enfatizar uma rápida e indiscutível vitória nos negócios empresariais, nas competições sociais ou esportivas e na área jurídica.

Parafraseando o general Júlio César, Pelé pode afirmar com muita convicção: "veni, vidi, vici".

O autor é professor, colaborador de Opinião.

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