Seul - Autoridades da Coreia do Sul informaram, nesta quarta-feira (30), que a Coreia do Norte mentiu ao falar na semana passada que havia testado um novo míssil balístico intercontinental. Segundo Seul, ainda que a ação tenha sido real, Pyongyang teria usado uma tecnologia menor e mais antiga do que o Hwasong-17 anunciado.
O regime na ocasião divulgou um vídeo de ares hollywoodianos, em que o ditador Kim Jong-un aparece de jaqueta preta e óculos escuros acompanhando o lançamento --comentaristas internacionais o compararam ao filme "Top Gun" e a clipes de K-pop.
Foram justamente as fotos e os vídeos divulgados pela mídia estatal norte-coreana após o lançamento que basearam as alegações do sul. De acordo com uma autoridade do Ministério da Defesa de Seul citada pela agência de notícias Reuters, as sombras e o clima vistos nas imagens sugeririam que elas teriam sido gravadas em outro dia.
Por essa interpretação, o regime de Kim Jong-un estaria tentando evitar uma reação doméstica negativa em relação a um lançamento fracassado do Hwasong-17 realizado no último dia 16 --segundo a Coreia do sul, o vídeo teria sido gravado nesta data, apesar de Pyongyang nunca ter reconhecido esse teste.
Relatório apresentado pelo governo sul-coreano ao Parlamento também aponta que o ensaio teria como objetivo aumentar o status militar da Coreia do Norte e melhorar o poder de barganha contra Seul, os Estados Unidos e a comunidade internacional. O teste se deu a poucas horas de a Otan, a aliança militar ocidental, reunir-se para discutir a guerra na Ucrânia --o encontro contou com a participação do presidente americano, Joe Biden.