Todos os anos, por iniciativa própria, coletores de lixo da Emdurb distribuem envelopes nas casas e em estabelecimentos comerciais pedindo a colaboração da comunidade a fim de arrecadar alguma contribuição durante a Páscoa e o Natal. A ação virou tradição e um importante complemento para a renda. No entanto, com a proximidade das datas, cresce também o receio de serem lesados, pois, segundo os coletores, há pessoas que se passam por eles só para recolher os envelopes.
Em alguns bairros, os profissionais da Emdurb contam que chegam a perder metade do total que poderiam arrecadar. Apesar da situação, não há registro de boletins de ocorrência (BO). Como se trata de iniciativa dos próprios coletores, a empresa municipal decidiu não se manifestar.
Na tentativa de coibir a ação, neste ano, os envelopes estampam os nomes e as fotos da equipe do caminhão que faz o serviço no bairro. Em letras maiúsculas, trazem também a mensagem: "Não se engane com falsos coletores!".
Os profissionais que recolhem o lixo reciclável também adotaram a mesma estratégia para evitar o prejuízo.
DECEPÇÃO
Na função há sete anos, Jonathas Feitoza conta que a decepção é sempre grande. "Batemos na casa e o morador diz que outra pessoa passou uns dias antes e recolheu o dinheiro. Teve bairro que perdemos metade da contribuição", reclama. Os funcionários da Emdurb desconfiam serem pessoas que conhecem bem o dia a dia do trabalho dos coletores.
Ainda segundo Jonathas, as fotos e os nomes da equipe no envelope ajudam, mas não evitam totalmente a ação dos falsos coletores. "Tem morador que não se atenta, porque a pessoa está uniformizada. Então, acaba entregando o dinheiro. Já está acostumado a entregar. Por isso, nem pergunta o nome da pessoa". Para tanto, ele explica que o ideal é que o morador conheça a equipe que trabalha no bairro, para não se deixar enganar. "Geralmente, são as mesmas pessoas que passam o ano todo coletando o lixo naquela região, raramente muda".
Os envelopes são confeccionados pela própria equipe. Neste ano, investiram cerca de R$ 800 para fazer 6 mil unidades. "Ao longo do ano, a gente faz um agrado ao morador. Não levamos só o lixo. Às vezes, recolhemos um reciclável que ninguém retira, como isopor ou vidro. Então, as pessoas retribuem com o envelope", afirma.
DESFALQUE NA RENDA
Com o passar dos anos, as petições, como eles chamam as campanhas, tornaram-se um importante complemento na receita de muitas famílias. "Está tudo muito caro. Mercado, luz, gás... tem sido cada vez mais difícil. Todo mês, a gente faz uma roleta para ver qual conta vai pagar. Então, é um dinheiro que ajuda bastante nessas datas", conta Jonathas, que mora com a esposa e o filho de 4 anos.
Em determinadas regiões da cidade, especialmente em áreas comerciais, um coletor chega a levantar até R$ 2,8 mil na campanha. "Mas, teve ano que a gente conseguiu só R$ 1,4 mil, porque passaram nas casas antes da gente", lamenta o profissional.