Bauru fechou o prazo para mudanças partidárias visando às eleições deste ano com duas dezenas de pré-candidatos a deputados estadual e federal, segundo levantamento feito pelo JC nos últimos dias. Há outros nomes sendo cogitados e envolvidos em negociações e, por isso, esse número deve crescer. No último pleito para a Assembleia Legislativa e Câmara Federal, a cidade teve 25 candidatos e só elegeu um: Rodrigo Agostinho (PSB), deputado federal. No ano seguinte (2019), o deputado federal Capitão Augusto (PL) transferiu seu domicílio eleitoral para Bauru.
Além da pulverização de votos em muitas candidaturas, há aqueles eleitores que optam por candidatos de outras regiões que pedem voto na cidade ou pelos que são de nichos específicos com campanha no Estado todo, como igrejas, servidores públicos, entre outros.
Em 2018, os candidatos a deputado estadual locais ficaram com 62% dos votos dos bauruenses (112.252). Os demais 38% dos votos válidos (69.055) foram para políticos domiciliados em outras regiões. Para deputado federal, a 'evasão' foi idêntica: 62% ficaram em Bauru e o restante foi para fora.
A consequência destas variáveis (muitos candidatos e votos em "paraquedistas") foi que o município ficou sem deputado estadual pela primeira vez em mais de 40 anos, depois de ter passado muito tempo sem deputado federal, até eleger Rodrigo.
MAIS VOTADO
O candidato a federal 'estrangeiro' mais votado em Bauru, em 2018, foi Eduardo Bolsonaro, com 8.889 votos. Para deputado estadual, a atual prefeita Suéllen Rosim teve, na época, 36.049, ficando como primeira suplente do Patriota. Pelo quociente eleitoral, lhe faltaram cerca de 10 mil votos.
Com 36.825 votos, Raul Gonçalves Paula ficou como segundo suplente do Podemos na briga por uma vaga na Assembleia. Outro que quase se elegeu foi Fábio Manfrinato (PP), com 47.246, tendo sido o mais votado de Bauru na ocasião.
Em 15 de novembro de 2020, a cidade tinha 270.749 eleitores aptos a votar. Em dois anos, é possível que esse número salte para algo em torno de 272 mil, total que, em tese, poderia eleger até três deputados estaduais e, pelo menos, dois federais.
PROJETOS PESSOAIS
Mas, para muitos analistas, não são apenas quantidade e migração dos votos que definem a situação política de Bauru. Segundo eles, falta mais diálogo e articulação entre as forças políticas locais, que se digladiam em busca de espaço, mas não têm a grandeza de entender que há muitos momentos em que a cidade e a população devem ser colocadas acima de pretensões meramente pessoais. Como já o fazem municípios com maior número de representantes nas casas legislativas de São Paulo e do País, a exemplo de Rio Preto, Sorocaba, Piracicaba, entre outros.
No programa Café com Política da última sexta-feira, dia 1 (https://youtu.be/ZWkatUddJn8), os debatedores ressaltaram a importância de as cidades terem representantes na Assembleia e no Congresso, principalmente pelo que isso significa em termos de conquista de recursos financeiros para os municípios, através das modalidades de emendas parlamentares aos orçamentos estadual e federal.
DESEMPENHO
Aplicada pela primeira vez nas eleições de 2018, uma regra eleitoral impede candidatos com votação inexpressiva de se elegerem. Trata-se da chamada de cláusula de desempenho individual (também conhecida como cláusula de barreira). A norma impediu, naquele ano, que oito candidatos a deputado federal ocupassem cadeiras na Câmara dos Deputados.
Entre eles, estava o candidato a deputado federal por Bauru Luiz Carlos Valle, que obteve 20.461 votos. Para não ser enquadrado na cláusula e ter sido eleito, ele precisaria ter conquistado, pelo menos, 31 mil, ou seja, 10% do quociente eleitoral, que, naquele ano, foi de aproximadamente de 310 mil votos. Atualmente, Valle é pré-candidato a deputado estadual pelo PL.