Cultura

Corpo de Lygia Fagundes Telles, a dama da literatura, é cremado em São Paulo


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O corpo da escritora Lygia Fagundes Telles foi cremado nesta segunda-feira (4), no cemitério da Vila Alpina, em São Paulo. A cerimônia foi restrita à família e amigos.

O velório teve início na tarde de domingo (3), às 15h, na sede da Academia Paulista de Letras, no Largo do Arouche, bairro da República, em São Paulo. A dama da literatura brasileira morreu naquele mesmo dia, em casa, aos 98 anos.

Quarta ocupante da cadeira número 16 da ABL (Academia Brasileira de Letras), a qual foi eleita em 1985, a autora de obras autora de obras como "Antes do Baile Verde" e "As Meninas" foi prestigiada com o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, e o Prêmio Camões, maior honraria da literatura em língua portuguesa, além de ter o título de primeira mulher brasileira indicada ao prêmio Nobel de Literatura, em 2016, quando tinha 92 anos.

Nascida em São Paulo, Lygia completaria 99 anos no próximo dia 19. Filha de promotor público, viveu boa parte da infância viajando entre cidades do interior de São Paulo. Com investimento do pai, publicou o primeiro livro, "Porões e sobrados", aos 15 anos, em 1938.

Formou-se em Direito pela USP, e, dois anos depois, casou-se com seu professor de direito internacional privado, Gofredo da Silva Telles Júnior, de quem adotou o sobrenome Telles e com quem teve Goffredo Telles Neto, morto em 2006. Eles se divorciaram em 1960. 

Na mesma década, casou-se novamente com o escritor e cineasta Paulo Emílio Gomes. Em 1954, publicou seu primeiro romance, "Ciranda de Pedra", já com grande aclamação da crítica literária. A escritora deixa as netas Lúcia e Margarida, filhas de Goffredo.

LEGADO

Entre suas principais publicações estão "Praia Viva" (1944), "O Cacto Vermelho" (1948), "Ciranda de Pedra" (1954), "Antes do Baile Verde" (1970), "As Meninas" (1973) e "Seminário dos Ratos" (1977). Além da eleição para a ABL em 1985, Lygia foi premiada com o Jabuti em cinco ocasiões, recebeu o Grande Prêmio Internacional Feminino Para Contos Estrangeiros na França, em 1969, além de vários prêmios da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) e da Biblioteca Nacional.

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