Cultura

Grammy consagra Olivia Rodrigo entrerenovação e mesmice

Lucas Brêda e Redação
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Antes de o Grammy deste ano começar, a expectativa era uma só: Olivia Rodrigo seria o grande nome da noite? A cantora de 19 anos, que há cerca de um ano era praticamente desconhecida, teve uma estreia de gala na cerimônia, que colhe os frutos das tentativas de rejuvenescimento que vem passando nos últimos anos. Mas Rodrigo não foi em 2022 um furacão como Billie Eilish em 2020. Naquele ano, a cantora ganhou todos os prêmios principais e bateu recordes. Este não foi o caso de Rodrigo. Entretanto, a artista venceu como artista revelação - um dos quatro grandes prêmios -, melhor álbum vocal de pop e melhor performance solo de pop.

Mas, se a consagração de Rodrigo evidencia a renovação pela qual o Grammy vem passando, por outro lado, o evento parece ser o mesmo de sempre. Dois dos quatro troféus principais -música e gravação do ano - acabaram com o Silk Sonic, duo formado por Bruno Mars e Anderson Paak, que emula o soul americano dos asno 1970. O outro dos "big four" acabou com Jon Batiste, pianista bastante ligado à tradição do jazz de New Orleans. É como se o Grammy apostasse no que há de mais jovem e popular na indústria da música americana e, ao mesmo tempo, tentasse agradar o que há de mais tradicional no mainstream contemporâneo.

Entre tamanha dicotomia, os novos nomes da música se apossaram das câmeras com muita identidade. Foi o caso de Lil Nas X, 22, rei dos memes e da provocação, que rebolou e cantou seu hit "Montero (Call Me by Your Name)" com um cropped brilhante ao lado de Jack Harlow. A própria Billie Eilish, 20, usou uma camiseta larga com o rosto de Taylor Hawkins -baterista do Foo Fighters que morreu em março- para cantar "Happier Than Ever" ao lado do irmão e produtor, Finneas, em performance de pegada roqueira.

The Weeknd, nome inescapável do pop atual, curiosamente até ganhou um prêmio pela participação em "Hurricane", música de Kanye West, mas não esteve na festa e não submeteu seu trabalho para avalização da Academia. Ele fez como Drake, que também retirou suas músicas do Grammy e, há anos, é expressamente crítico da premiação.

São situações bastante representativas do momento que vive a Academia. O Grammy quer dar espaço para a juventude que vem renovando o pop, mas acaba premiando a música que soa retrô. O evento quer levar aos holofotes os artistas negros, mas não aqueles que são mais representativos da produção contemporânea. As mudanças até estão em curso, mas a carcaça ainda é antiga.

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