Tribuna do Leitor

Pobreza de programas!

Paulo Neves
| Tempo de leitura: 2 min

O que assistimos nos programas esportivos de rádios e televisões? Debates infindáveis que não chegam a conclusão nenhuma. Um deserto de ideias. São vergonhosos determinados programas, algo surreal! E as lives esportivas, principalmente de futebol e vôlei, do que vivem? Fofoca. Bisbilhotando a vida particular.

A campanha agora em todos os programas esportivos é a possível saída do técnico português do Flamengo, depois de 3 meses de contrato. Assunto para mais de metro. Deixa a guerra na Ucrânia de lado. Deixa quem será o novo presidente da Petrobras. Deixa a corrupção do governo JMB no Ministério da Educação. Vamos pensar quem poderia ser o novo técnico do Flamengo, muito mais importante, claro!

Jornalismo esportivo, seja na rádio, tv aberta ou fechada, vive de resultados, fofocas, enquanto o suco extraído de toda essa engrenagem é o nada dos programas que você e eu ficamos horas e horas em frente a TV hipnotizados pela mediocridade avassaladora. Esses programas não trazem nenhum fruto cultural, político, esportivo, social e continuamos assistindo a ex-jogadores, ex-comentaristas, ilusionistas, mentirosos, jornalistas esportivos, com eles gostam de ser chamados, graduados ou não. Assisti nesta terça-feira, programa do Sportv e ESPN durante mais de uma hora, debateram o Flamengo e seus problemas, agregado a essa hora perdida muitos gritos, muita falta de educação, muita grosseria, desrespeito, muito folclore, muitas tabelas, cálculos, logísticas, estimativas e muito mimimi. Bem feito, quem mandou eu assistir! Procuro assistir programas esportivos na ESPN, Cultura, TNT, Bandeirantes, Globo, Sportv, entre outros menos votados. Quero entender o mecanismo desses programas, na verdade escapa um, ou talvez dois, no máximo três, o resto não tem classificação.

Assisti recentemente no UOL Esporte o início de uma live com Juca Kfouri e José Trajano, conversando sobre futebol. Deslumbrante. Esses jornalistas esportivos, que estão diariamente nos canais, precisam no mínimo inspirar-se nos dois. A diferença é abissal dos programas que estão aí... Nos contentamos com analistas muito fracos, com narrador-torcedor fanático que passam o pano vergonhosamente no time do coração, João Guilherme da ESPN não me deixa mentir. O Sportv também não me deixa mentir quando transmite a Superliga de Vôlei Feminina, com Luiz Carlos Jr. e Jader Rocha, dignos de dó. De vergonha!

Uma pobreza que nem São Franscisco merece. Já perceberam que os debatedores esportivos fazem tipo, como bonzinho, mauzinho, pilhado, grosseiro, demagogo altruísta, gozador, família, puxa-saco, isentão, romântico, bom mocismo, nascisista, chato, etc etc. Deve ser um problema quando voltam para a casa à noite, depois do programa da tv e a esposa pergunta: "Que papel você fez hoje?". Dependendo da resposta, pode dar divórcio...

 

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