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Via falsa

Adilson Roberto Gonçalves
| Tempo de leitura: 1 min

As nuvens políticas se mexeram muito naquelas 24 horas do último dia de março e caminhariam para tempestades ainda mais fortes, pelo jeito. Se João Doria realmente tivesse permanecido no governo paulista não seria somente a inutilização de sua carta de despedida publicada na Folha de S. Paulo naquele dia, mas também uma reviravolta no quadro político que teria outras 24 horas para se definir com novas (re)filiações, impeachments e renúncias.

Ter pretensão não significa ter condição de ser presidente e o agora ex-governador talvez nem conseguiria passar pelo crivo de seus eleitores do estado em uma reeleição. Dirão ainda que mesmo perdendo em São Paulo resta o Brasil para amealhar votos. Mas, tal como as nuvens, o quadro político muda a todo instante.

Os institutos de pesquisa de intenção de voto têm mostrado de forma constante e consistente que a chamada terceira via nada mais é que o acostamento à direita, sem andar e usado para emergências. A apreensão dos grupos que sonham com tal alternativa não é com a aparente estabilização da aprovação do governo federal, mas, sim com a hipótese ainda não descartada de Lula vencer no primeiro turno nas eleições de outubro.

Assim, a dúvida ainda é se Ciro Gomes, o terceiro colocado agora, continuará se postando como alternativa da esquerda, uma vez que também está no mesmo imbróglio dos demais pré-candidatos sub-dois dígitos e com forte pretensão de fincar o pé direito na União Brasil de ACM Neto.

Conclusão das pré-tempestades de mudança de estação: Ciro sem brilho, Moro sem palavra, Doria com palavras em excesso e despresidente com falsas palavras sobre o verdadeiro Dia da Mentira. Verbos e verbas à parte, a via de número 3 é tão falsa quanto a nota correspondente.

O autor é pesquisador na Unesp de Rio Claro.

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