Polícia

Casa da Sopa é furtada e carne levada seria usada para alimentar 150 pessoas

Larissa Bastos
| Tempo de leitura: 3 min

Nem mesmo projetos sociais têm escapado da criminalidade em Bauru. Na madrugada desta quinta-feira (7), ladrões levaram 30 quilos de carne seca da sede da Casa da Sopa, na Vila Dutra, que seria usada para alimentar cerca de 150 pessoas em situação de vulnerabilidade da cidade. Esta é a segunda vez em menos de 15 dias que a entidade, responsável por atender mensalmente 850 famílias, é alvo de furto.

Rose Lopes, coordenadora da instituição, conta que o imóvel possui cerca de concertina e nunca havia sido furtado antes. Até que, pela primeira vez, em 24 de março último, levaram um ventilador de inox com pé e um rádio antigo. Na ocasião, foi necessário substituir a porta (que foi doada por empresários) e comprar novo cadeado e corrente para o portão, já que ambos foram arrombados.

Porém, ontem, menos de duas semanas após o primeiro crime, o local amanheceu vandalizado de novo. Desta vez, além de novamente estragarem o portão e a porta, os ladrões levaram cerca de 30 quilos de carne seca, suficiente para alimentar aproximadamente 150 pessoas, de acordo com Rose Lopes. A carne seria usada na próxima quarta-feira (13), durante uma feijoada na cozinha comunitária do Jardim Petrópolis, outro projeto social também desenvolvido pela Casa da Sopa.

"Nosso objetivo é ajudar as famílias em situação de vulnerabilidade e tentar oferecer um pouco de dignidade para elas. O que entristece é que a pessoa provavelmente não furtou para comer, porque tinham outros alimentos no local. Levou apenas toda a carne. Só deve estar em busca de dinheiro fácil, talvez para trocar por drogas. Sabemos que o preço do quilo da carne seca é de aproximadamente R$ 50,00. Ou seja, foram levados R$ 1,5 mil em alimento, que será trocado por banalidade. A entidade ganha esse alimento, mas alguém teve que comprar", lamenta Rose Lopes.

INSEGURANÇA

A Casa da Sopa da Vila Dutra desenvolve trabalho assistencial na cidade desde 1997. Atualmente, arrecada e distribui semanalmente itens de hortifruti, leite, pães, ovos e marmitex para centenas de pessoas em situação de vulnerabilidade. Uma vez por mês, entrega cestas básicas para as 850 famílias cadastradas na instituição, além de ações sazonais durante o ano. Para se ter uma ideia, na sede da entidade, são armazenadas cerca de 10 toneladas de alimentos.

E, por conta dos recentes furtos, instalou-se uma forte sensação de insegurança e impotência entre os voluntários, segundo a coordenadora da entidade. Para tentar inibir outras ações de criminosos, estão sendo instalados sistema de alarme e câmeras de monitoramento no local. "É um gasto que não estávamos esperando neste momento, mas precisamos tentar garantir a assistência das pessoas que mais precisam. Também pedimos para a Polícia Militar nos ajudar, reforçando o patrulhamento", afirma Rose Lopes.

Segundo ela, foi feito BO do primeiro furto e a denúncia deste segundo caso deverá ser formalizada nesta sexta (8).

CRIMINALIDADE

A líder comunitária conta ainda que, somente ontem, outros dois conhecidos dela também tiveram seus imóveis furtados. "Algo precisa ser feito. Primeiro, necessitamos de políticas públicas para evitar, dando educação, amor e outras coisas. Segundo, precisamos punir quem furta. E, por fim, temos que corrigir, para não acontecer de novo. Temos universidades em Bauru com cursos de psicologia, de assistência social, que podem desenvolver projetos, além de órgãos municipais e entidades sociais. Precisamos entender o que está faltando para essas pessoas e agir", conclui Rose Lopes, em tom de alerta.

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