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Bauru tem 1.º trimestre mais chuvoso em seis anos, depois de seca em 2021

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Após um 2021 com baixo volume de chuvas, que deixou em situação crítica o abastecimento de água em Bauru, o primeiro trimestre de 2022 terminou com o maior acumulado de precipitações dos últimos seis anos. Segundo o Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet), foram 752,9 milímetros somados entre janeiro e março, índice superior à média climatológica da cidade para este período, calculada a partir dos dados dos últimos 30 anos, que é de 635,2 milímetros.

Índice superior foi registrado pela última vez no primeiro trimestre de 2016, quando choveu 850,4 milímetros. Segundo o DAE, a boa quantidade de precipitações nestes primeiros três meses do ano ajudou a recarregar os lençóis freáticos e, diferentemente do que ocorreu no ano passado, não há previsão, ao menos até o momento, de implantar qualquer sistema de rodízio de abastecimento de água no município.

Vale lembrar que, em 2021, o racionamento começou em 16 de abril e persistiu até novembro, sendo que, no momento mais crítico, residências chegaram a ficar em revezamento de 24 por 72 horas, ou seja, com três dias seguidos sem receber água.

"No primeiro dia de rodízio [em 2021], a lagoa de captação do Rio Batalha estava com 2,09 metros. Já nesta quinta-feira (7), estava cheia, com 3,20 metros. Felizmente, estamos em uma situação completamente diferente. Não é possível garantir que não teremos nenhum dia de desabastecimento durante o período de estiagem, mas, certamente, o ano não será tão problemático como foi 2021", analisa Júlio César Carpanezi, diretor da Divisão de Planejamento do DAE.

Ele cita, ainda, algumas ações da autarquia, como a perfuração de novos poços, a construção de reservatórios e a ampliação da setorização da rede de distribuição de água em alguns bairros. O DAE também segue, segundo Carpanezi, fazendo a limpeza da lagoa do Batalha e desassoreando o rio de forma lenta e gradual, para não gerar cianobactérias.

EXPLICAÇÕES

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), uma confluência de fatores contribuiu para o maior volume de chuvas no primeiro trimestre deste ano, entre eles o fato de as temperaturas do Oceano Atlântico, na Costa do Estado de São Paulo e região Sul do Brasil, terem permanecido acima da média neste período. "Isso alimenta o calor e o teor de umidade na atmosfera", explica o meteorologista do instituto, Franco Nadal Junqueira Villela.

Segundo ele, associado a isso, o fenômeno La Niña, caracterizado pelo resfriamento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, influenciou a entrada de frentes frias e ajudou a alterar o padrão de chuvas na maior parte do País. "O La Niña tem influências bem conhecidas, principalmente no Sul, Norte e Nordeste brasileiro, mas também tem algum reflexo na propagação de frentes frias, que ajudaram a trazer mais precipitações para o Estado de São Paulo", acrescenta.

Ele diz, ainda, que a Zona de Convergência do Atlântico Sul (Zcas), que trouxe muita chuva para a região de Franca e Alta Mogiana, na divisa com Minas Gerais, também teve alguma atuação, menos intensa, na região de Bauru. "É uma faixa de nebulosidade mais persistente, que traz umidade da Amazônia para o Sudeste, e Bauru ficou dentro da amplitude de oscilação desta Zcas", aponta.

Conforme o meteorologista, em abril, as temperaturas do Atlântico Sul já estão abaixo da média, o que deverá representar uma redução dos volumes de chuva para este mês. A expectativa, inclusive, de acordo com o IPMet, é de que a quantidade de precipitações fique abaixo da média climatológica no trimestre de abril a junho.

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