Encarcerado há cerca de três anos, Marcos do Nascimento foi condenado pelo Tribunal do Júri a 42 anos de prisão em regime fechado por estuprar e matar a própria mãe, de 80 anos, em Bauru, em março de 2019. Ele foi sentenciado pela prática de feminicídio com as qualificadoras de uso de meio cruel e para assegurar a ocultação de outro crime, além de estupro de vulnerável.
O julgamento ocorreu nesta quinta-feira (7). Depoimentos juntados aos autos do processo, que tramita em segredo de Justiça, apontam que o réu tinha comportamento violento, tendo o hábito de agredir e ameaçar a mãe de morte em diversas ocasiões, chegando até mesmo a usar um cabo de vassoura para golpear a mulher.
O laudo necroscópico apontou que a idosa foi vítima de asfixia mecânica após ser estuprada. Ela foi morta na manhã de 30 de março de 2019, em sua própria casa, no Parque Santa Edwirges, onde morava com o marido e o filho, que acabou lhe tirando a vida. O réu teria problemas com o abuso de bebidas alcoólicas.
Conforme o JC divulgou, inicialmente, o caso foi registrado como morte suspeita, mas o rumo das investigações mudou após o resultado do exame necroscópico, que revelou o estupro e a asfixia. Nascimento, à época com 39 anos, foi preso como principal suspeito do crime.
AGRESSÕES FREQUENTES
Pesou contra ele depoimentos de testemunhas e boletins de ocorrência (BOs) de agressão, sendo que o último deles foi registrado em 25 de março, cinco dias antes do feminicídio, quando um familiar relatou à Polícia Civil que o homem teria chegado bêbado em casa e agredido e ameaçado a idosa e seu esposo.
No dia 30, a idosa foi encontrada morta sobre a cama por vizinhos, que relataram à Polícia Civil a ocorrência de episódios frequentes de maus-tratos. Em 2012, o próprio casal de idosos teria registrado BO por lesão corporal.
Quando as investigações sobre o feminicídio ainda estavam em curso, a delegada Alexandra Nogueira, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), lamentou o caso. "Apesar das violências, a mãe nunca representou contra ele ou solicitou medida protetiva. Vemos muitos casos em que as mães tomam coragem e denunciam a agressão em BO, mas são reticentes em levar o caso adiante, em representar contra os filhos, com medo de prejudicá-los. Só que, para conseguirmos atuar, o andamento é necessário, a produção de provas é essencial".