Começa neste sábado (9) um Campeonato Brasileiro de múltiplos sotaques estrangeiros. Nunca a competição teve início com tantos treinadores de fora, responsáveis por nove das 20 equipes em ação. O Nacional tem previsão de término para o dia 13 de novembro.
Apontados como principais favoritos pelo investimento e pelos resultados recentes, Atlético-MG, Flamengo e Palmeiras são, respectivamente, dirigidos por um argentino (Antonio Mohamed), e por dois portugueses (Paulo Sousa e Abel Ferreira).
Esses times foram os três primeiros colocados da edição 2021. Na sequência, apareceram na tabela o Fortaleza, que é comandado pelo argentino Juan Pablo Vojvoda, e o Corinthians, que trocou recentemente o brasileiro Sylvinho pelo português Vítor Pereira.
Hoje, também têm comandantes estrangeiros o Santos (Fabián Bustos, argentino), o Internacional (Alexander Medina, uruguaio), o Botafogo (Luís Castro, português) e o Coritiba (Gustavo Morínigo, paraguaio). Há, assim, um recorde.
Jamais houve simultaneamente mais de sete técnicos de fora. No ano passado, consideradas todas as rodadas, foram oito (não simultâneos). Portanto, de cara, o Brasileirão de 2022 já se estabelece como aquele com mais treinadores não brasileiros.
O retrato da rodada inicial, comparado com os registros dos últimos dez anos, mostra que os clubes passaram mais e mais a buscar soluções não caseiras. Até 2019, o que se via era a competição ter início com um ou dois profissionais estrangeiros.
O sucesso do português Jorge Jesus naquele ano no Flamengo fez outras equipes repetirem o modelo. O também português Abel Ferreira em seguida enfileirou títulos no Palmeiras e contribuiu para a multiplicação.
Não à toa, os portugueses são maioria, uma lista de quatro nomes puxada pelo próprio Abel. Os técnicos tentam estabelecer conceitos distintos dos habitualmente vistos no Brasil.
A situação é diferente da observada até o início do século, com treinadores que haviam nascido em outros países, mas estavam estabelecidos em território brasileiro.
Agora, a ideia parece mesmo ser importar ideias. Foi o caminho seguido pelo Atlético Mineiro após a saída de Cuca, que liderou o time na conquista do Brasileiro do ano passado. A diretoria chegou a negociar com Jesus e fechou com Mohamed, sem se empolgar com os nomes locais à disposição.
O Flamengo, insatisfeito com o trabalho de Renato Gaúcho, foi buscar outro português, Paulo Sousa, tentando reviver o sucesso alcançado com Jesus. O começo tem sido complicado, com conflitos com o elenco e a perda dos títulos disputados.
No Palmeiras, não houve motivo para mudanças. Com o moral de quem conquistou as duas últimas edições da Libertadores, Abel segue à frente do time alviverde, que em 2022 já conquistou a Recopa Sul-Americana e o Campeonato Paulista.
QUEM BRIGA
Serão 38 rodadas para apontar o campeão. Atlético-MG, Palmeiras e Flamengo despontam como favoritos. Times como São Paulo, Fluminense, Athletico, Corinthians, Fortaleza, Red Bull Bragantino, Botafogo e Internacional devem brigar por vagas na Libertadores. Avaí, Goiás, Juventude são apontados como equipes que lutarão para permanecer na elite. O Santos, que faz temporada ruim, entra como incógnita.