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Pais e avós em conflito: educação e alimentação das crianças causa estranheza nos mais velhos

FolhaPress
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O chá e o suco para o bebê estão fora do cardápio, a papinha não deve ser uma mistureba liquidificada e o açúcar só pode ser oferecido depois dos 2 anos de idade (e olhe lá). O aleitamento materno e o parto normal recebem mais apoio, com consultoras, doulas e fisioterapia pélvica. As palmadas e outros tantos castigos físicos, antes corriqueiros, viraram objeto de lei e encontram mais resistência, apesar de alguns se vangloriarem da violência por aí.

A lista do que mudou de uma geração para outra, da gravidez à educação, vai longe. E as novas práticas, como era de se esperar, podem causar estranheza, especialmente entre os mais velhos.

Segundo a pediatra e mãe Luiza Menezes, que oferece o curso Avós Fora da Caixa para prepará-los para os novos tempos e reduzir eventuais atritos com os pais das crianças, não é que os avós de hoje tenham criado seus filhos errado. "Eles fizeram o melhor que podiam à luz das informações que tinham. Mas o fato é que a ciência mudou, evoluiu, e eu os convido a se atualizarem", diz.

"A maior treta é o açúcar, que antes era visto como luxo. Os avós têm essa memória afetiva do doce como recompensa, então hoje, diante da recusa dos pais, às vezes querem dar o doce escondido. Mas quando a pessoa descredibiliza o cuidador principal e pede para a criança esconder algo dos pais, criam-se dois problemas: um é a exposição em si ao açúcar, e o outro é normalizar que haja segredos dos pais nessa idade. A maioria das crianças que sofre abusos não conta para os pais porque o abusador pediu segredo", afirma a pediatra Luiza Menezes.

Presidente do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), Tadeu Fernando Fernandes também vê o choque cultural cotidianamente.

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