Apesar das pesquisas relativas à intenção do voto do eleitor brasileiro definirem o atual ranking da corrida eleitoral para o Governo Federal, o fiel na balança que vai nortear a disputa em outubro poderá ser a rejeição aos candidatos, ou seja, o quanto o eleitor não quer eleito este ou aquele nome. A análise foi feita durante o terceiro programa Café com Política, parceria entre o Jornal da Cidade/JCNET e rádio 96FM, transmitido na última sexta-feira (8).
Na oportunidade, quem esteve nos estúdios como convidado foi o analista político e graduado em gestão pública, Rafael Moia Filho. Para ele, apenas com as convenções partidárias será possível começar a definir o quadro da disputa. "A maioria dos brasileiros ainda está muito distante da eleição", opinou.
Já o especialista em marketing político e comunicação eleitoral, Kleber Santos destacou que a alta rejeição dos pré-candidatos será muito importante, especialmente no segundo turno. "Tirando os números da rejeição, o que sobra é o universo que o candidato tem para buscar seu voto", afirmou.
O jornalista e economista Reinaldo Cafeo acrescentou que, havendo segundo turno, a rejeição aos dois finalistas pode ajudar a definir a eleição, pois o eleitor que rejeita os dois terá que escolher entre eles, caso não anule seu voto.
As diferenças entre a disputa deste ano e a de 2018 também foram analisadas. "Essa eleição é marcada por uma pergunta que não tinha em 2018: Bolsonaro merece um segundo mandato? Na eleição de 2018 não havia nenhum candidato à reeleição. Quando Bolsonaro é eleito faz um governo que, nas intenções de voto, não é considerado um grande governo", opina Jabbour.
BOLSO
Ainda na avaliação de Kleber Santos, decisões populares como a liberação do FGTS e a antecipação do 13º para aposentados pode ajudar a melhorar o desempenho do presidente Bolsonaro. "O bolso fala mais alto. Quando está bem, a sociedade vota em quem está no governo, quando está mal, diz não, na esperança de que a realidade mude", avaliou.
Rafael Moia, no entanto, reafirma que o Governo Federal estará mais exposto a questionamentos. "Diferentemente de 2018, Bolsonaro vai ter que mostrar seu legado, que obras foram feitas, qual projeto na educação, o que foi feito pela saúde pública, por que morreram 600 mil pessoas?".
O jornalista Ricardo Bizarra pontuou ainda que existe esforço em mudar a imagem do presidente, especialmente no cuidado com as declarações mais polêmicas que ele costumou fazer.