O número de pessoas diagnosticadas com dengue neste ano em Bauru quase dobrou nos últimos 13 dias e o Departamento de Saúde Coletiva (DSC) do município já demonstra preocupação diante do risco de haver uma nova epidemia da doença na cidade. No período de 30 de março a 12 de abril, o órgão recebeu a confirmação de mais 102 casos, que, somados aos 129 contabilizados até então, totalizam 231 registros neste ano, até o momento.
Todos eles são autóctones, ou seja, nenhum é importado. Também não houve óbitos pelo agravo. Há, ainda, outros 642 casos suspeitos, ainda em investigação. Os dados referem-se a pacientes atendidos na redes pública e privada de Bauru.
Apenas como medida de comparação, em 2021 inteiro, a cidade contabilizou 403 registros da doença, sendo 400 autóctones e três importados, com dois óbitos. Já na pior epidemia em Bauru, em 2019, foram 26.250 casos, com 42 mortes.
Diretor do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), Ezequiel Santos avalia que o município corre o risco de registrar uma nova explosão de casos entre o fim deste ano e início de 2023, porque o número de registros neste momento já é significativo e, além disso, algumas cidades da região já estão enfrentando epidemia de dengue.
"A partir de outubro, volta a chover com mais frequência, o que favorece a proliferação de criadouros do mosquito Aedes aegypti. E ele também precisa de temperaturas mais altas para se reproduzir. Então, a partir daí, poderemos ter aumento de casos, com risco de o cenário evoluir para uma epidemia no início de 2023. Foi exatamente o que ocorreu entre o fim de 2018 e início de 2019", esclarece.
A partir de agora, contudo, com o fim do período chuvoso, a tendência é de que o volume de casos comece a cair. Entre o outono e o inverno, a programação dos agentes de controle de endemias é fazer nebulizações e visitas casa a casa para extinguir criadouros, com foco maior na região Noroeste da cidade, que, historicamente, concentra o maior número de moradores diagnosticados com dengue.
COMBATE AO MOSQUITO
Neste momento, inclusive, a nebulização está sendo feita no Núcleo Gasparini e as visitas, no Parque Jaraguá, Santa Edwirges e Parque Roosevelt, com busca de criadouros, uso de larvicida e orientações aos moradores. Essas regiões estão recebendo as ações por serem as que registraram mais casos neste ano em Bauru. No mês passado, já foi realizado o recolhimento de materiais inservíveis no Distrito de Tibiriçá, outra área que teve um número alto de pessoas infectadas.
"Também estamos programando alguns mutirões para as pessoas descartarem estes inservíveis. É preciso lembrar que, de uma tampinha de pasta de dente até um balde, se houver acúmulo de água, é um risco para dengue", alerta Santos.
Assim, a Secretaria de Saúde pede a colaboração da população para eliminar qualquer recipiente que possa acumular água, como latas, pneus, potes e garrafas, que devem ser levados aos Ecopontos, e ainda verificar sempre vasos, calhas, caixas d'água e ralos, além de manter quintais, calçadas e terrenos limpos.
As medidas visam prevenir justamente uma futura explosão de casos a partir do fim do ano. Porém, se isso ocorrer, a Saúde já considera utilizar a estrutura do Posto Avançado Covid-19 (PAC), conforme o JC noticiou, para receber pacientes com quadro mais grave de dengue, que demandem internação.