Brasília - O governo federal decidiu, nesta quarta-feira (13), conceder um reajuste de 5% para todos os servidores públicos federais a partir de julho, mesmo sem espaço suficiente no Orçamento, o que vai levar a um corte de verbas em outras áreas. O custo da medida é de aproximadamente R$ 6 bilhões em 2022.
A decisão foi confirmada pela reportagem com integrantes da equipe econômica e do Palácio do Planalto. A opção pelo formato linear vem depois de meses de idas e vindas sobre os reajustes do funcionalismo e após pressão do Palácio do Planalto sobre a equipe econômica nos últimos dias para se chegar um desfecho ainda nesta semana.
O Orçamento de 2022 só tem reservados R$ 1,7 bilhão para reajustes ou reestruturações de carreiras de servidores neste ano e, além disso, desde março estão sendo contingenciados recursos para respeitar a regra do teto de gastos (que impede o crescimento das despesas federais acima da inflação). Por isso, outras áreas vão perder recursos.
De acordo com integrantes do governo, a medida demanda R$ 6,3 bilhões em 2022 e os recursos serão obtidos por meio de um corte linear nas despesas discricionárias dos ministérios. Como já há R$ 1,7 bilhão para os reajustes, a necessidade líquida de redução será de R$ 4,6 bilhões.
Inicialmente, a ideia do governo era conceder um aumento apenas para carreiras policiais. Depois, diante da reação negativa dos demais segmentos do funcionalismo, passou-se a considerar alternativas que contemplassem a todos.
O próprio presidente chegou a sinalizar que, se não houvesse consenso, o reajuste poderia ficar só para 2023.