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Rio Batalha: dois pontos

Luiz Célio Bucceroni
| Tempo de leitura: 4 min

As últimas administrações municipais têm optado pela perfuração de poços profundos para atender demandas decorrentes do crescimento da cidade manifestado por novos condomínios, prédios e casas edificados. É solução mais rápida e, alguns casos, mais adequada. Porém, não nos esqueçamos da importância do Rio Batalha para o abastecimento de parte de nossa população, algo em torno de um terço dos bauruenses. Dito isto, chego agora aos dois pontos que pretendo aqui abordar, admitido democraticamente o contraditório.

No primeiro ponto, a limitação hoje existente do volume do Rio Batalha no atual e único local de captação. Assim, em período de estiagem temos tido, e sofrido, com rodízio/racionamento no abastecimento das regiões servidas pelo rio e que, penso, voltará a ocorrer mesmo que se tenha estiagem não tão severa. Nesse sentido, vale voltarmo-nos para o Plano Diretor de Águas - PDA, elaborado pela Hidrosan, empresa capitaneada pelo professor Di Bernardo, profissional cuja atuação e conceito na área de saneamento ultrapassam nossas fronteiras.

Do estudo consta uma nova captação no rio Batalha, aproximadamente 22 quilômetros abaixo da atual, aonde o rio, por ter maior vazão, pode oferecer volume considerável de água a ser retirada. Quando implantada essa nova captação, a necessidade de retirada de água na atual captação cai dos atuais 550 litros por segundo para 200 l/s, menos de 40% do que hoje se retira ali. Com isso, resta a certeza de que o rio tem vazão para tanto, mesmo em períodos de estiagem. É o que aponta o estudo referido. Além, elimina-se o risco de rodízio ou racionamento, como queiram denominar tão indesejada prática.

Porém, para implantação dessa nova captação é preciso que se tenha um projeto elaborado, que, consta, teria que ser feito por profissional/empresa contratado, a permitir levantamento de custo e providências a seguir para sua implantação, seja com recursos aqui disponíveis ou sua busca através de atuação de nossas autoridades constituídas, mormente no campo político. E, infelizmente, não se tem notícia dessa contratação ou mesmo licitação em curso para tanto. Ademais, importante considerar que a atual administração já cumpriu um terço de seu mandato. O tempo passa muito rápido. Por isso, urge a necessidade de ações imediatas. O segundo ponto é a imprescindibilidade do Rio Batalha no abastecimento de parte da cidade, porque a região oeste da cidade não oferece condição favorável à perfuração de poços, dada a reduzida vazão que oferecem, dizem os técnicos. E ela é composta por bairros populosos, como a Vila Falcão, Independência e aqueles em seu entorno. Em passado distante foi feita perfuração exploratória na região do Parque Viaduto, que apresentou possibilidade de reduzida vazão de água. Assim, a importância do Rio Batalha como fonte é fundamental no abastecimento daquele setor da cidade. Portanto, necessário preservá-lo.

Temos notícias de ideias ou planos para desassoreamento, limpeza e ampliação do volume da atual lagoa de captação. Os dois primeiros, desassoreamento e limpeza, devem ser permanentes. Mas, desconsiderando a vazão do rio, o volume armazenado na lagoa atual equivale à distribuição de água por dois ou talvez três dias. Ainda que tenha seu volume duplicado, o período que suportará(ia) passará(ria) a ser algo em torno de seis dias, totalmente insuficiente diante de uma estiagem.

Mesmo que todo volume reservado seja importante, de se considerar que sua ampliação envolve a ocupação de área em município vizinho, com todos os gravames decorrentes. Por fim, a relação custo x benefício, por certo, desfavorável. Por isso, penso, novamente, que prioritariamente a isso é fundamental que se cuide da "saúde" do rio, que, prima facie, abastece a lagoa. Ações como limpeza constante, com a retirada de taboas, o desassoreamento de seu leito e, importantíssima, a recomposição de sua mata ciliar. Notícias de atividades de plantio de mata executadas por segmentos da sociedade, mesmo a merecer elogios, são insuficientes dada a significativa extensão da ação, desde a captação até a nascente do rio, em ambas as margens. E da parte da administração pública também não se tem notícia concreta e efetiva de ação para tal.

Ainda, gestão junto aos órgãos competentes no sentido de que se desenvolva trabalho junto das propriedades para a manutenção ou execução de curvas de nível a fim de que, com a retenção de areia, não haja o assoreamento do leito do rio, reveste-se também de grande importância. São considerações que faço e aqui encerro lembrando a letra, parodiando o compositor: "Não deixe o samba (rio) morrer, não deixe o samba (rio) acabar..."

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