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Marcas de dores, cicatrizes femininas viram arte pelas mãos de tatuadora

Guilherme Tavares
| Tempo de leitura: 3 min

Lembranças de dores físicas e emocionais e por vezes constrangedoras, cicatrizes e manchas na pele de mulheres têm ganhado um novo significado nas mãos da tatuadora de Bauru Cíntia Cavalcanti. Designer de formação e artista por vocação, ela passou a estudar técnicas para desenhar na derme há três anos e se redescobriu profissionalmente. Com suas tatuagens, ajuda a resgatar a autoestima das clientes ao transformar em belo o que um dia foi motivo de vergonha. "É muito emocionante quando termina a tatuagem. Elas se sentem mais vivas e bonitas novamente", revela.

Foram quase três décadas como designer de grandes empresas, desenhando e coordenando coleções, além de ter montado a própria agência de comunicação em 2012. "Com o tempo, o trabalho inevitavelmente deriva para a burocracia e administração. E eu sempre gostei de criar, estar em contato com o lado artístico. Até que um dia meu irmão me deu a ideia de começar a tatuar. Apesar de alguma resistência inicial, me interessei e comecei a estudar", conta Cíntia.

Depois de um ano pesquisando, se aperfeiçoando e participando de cursos e feiras, ela passou a desenvolver técnicas a fim de transferir para a pele o talento que tinha na ilustração, especialmente em temas ligados à feminilidade. As primeiras tatuagens foram em amigas que confiaram na qualidade do traço dela. Até que, em 2020, uma mulher entrou em contato pedindo para cobrir uma grande cicatriz, resultado de uma abdominoplastia. "Ela queria cobrir aquela sensação de corte. Tinha vergonha de tirar a roupa na frente do marido. Eu abracei a causa como mulher. Ela depositou confiança nas minhas mãos, me emocionou muito. E vi o efeito na alma dela. Foi uma emoção muito grande, me senti útil", emociona-se a artista.

Desde então, Cíntia encontrou mais do que um novo caminho profissional. "Passei a cumprir um propósito que tem mais consistência emocional e espiritual para mim. Por ser mulher, mãe, por querer bem ao próximo. É muito emocionante", revela a tatuadora, que ainda faz vários trabalhos ornamentais no estúdio, sempre com muito planejamento antes de partir para o desenho definitivo. "Gosto de trabalhar com linhas femininas, desenhos suaves, delicados, uma aura colorida e leve. Escolhi a temática botânica para me especializar e consigo desenhar flores com grande nível de detalhes", explica.

EMOCIONANTE

Em 2019, a servidora pública Marilza Dias de Almeida, 50 anos, passou por uma histerectomia (retirada do útero). O procedimento teve complicações, ela precisou voltar para a mesa de cirurgia e quase perdeu a vida. Ficou com várias cicatrizes na região abdominal, a maior delas bem abaixo do umbigo. "Sempre fui muito vaidosa. Depois disso, joguei fora todos os meus biquínis e passei a usar somente maiôs", revela a mulher.

No mês passado, ela tomou coragem de cobrir toda a região com um desenho. "Vi o trabalho da Cíntia e confiei, achei o traço muito delicado. Adorei o resultado, superou minhas expectativas. Muda muito nossa autoestima. Vou viajar e já comprei biquínis novamente", comemora Marilza.

O relato é parecido com o da manicure Andréia Aparecida de Oliveira Marinho, de 41 anos. Em 2019, ela passou por uma mastectomia para tratar de um câncer de mama e ficou com cicatrizes que se estendiam até as costas. "Incomodava demais, me lembrava de um episódio ruim. Quando terminou a tatuagem, fiquei encantada. Foi uma libertação", revela Andréia.

Quem quiser conhecer o trabalho de Cíntia Cavalcanti, o endereço tanto do Instagram quanto do Tiktok é o @cicavalcantitattoo e o telefone é o (14) 99603-7238.

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