Economia & Negócios

Negócios sem atendentes buscam simplificar compra

Isabela Lobato
| Tempo de leitura: 2 min

Com forte uso de tecnologia, empresas oferecem estruturas de autoatendimento sem funcionários pensadas para facilitar a experiência de compra, com poucos obstáculos entre a escolha do produto e o pagamento. Um exemplo é a Zaitt, franquia de lojas de conveniência autônomas, abertas 24 horas por dia. Para ter acesso às unidades, o cliente baixa e cadastra-se no aplicativo da marca e usa um QR Code para ter sua entrada liberada. Lá dentro, escolhe e escaneia seus produtos com o celular. Depois, efetua o pagamento pelo próprio aplicativo e deixa a loja, tudo isso sem ter tido contato com ninguém.

Durante todo esse processo, o comportamento do consumidor é monitorado remotamente, levando em conta variáveis que informam à empresa casos suspeitos de fraude. Rodrigo Miranda, fundador da companhia, criada em 2016 no Espírito Santo, conta que o aporte inicial foi de R$ 10 milhões. Ele não revela o faturamento atual, mas diz que planeja mais que dobrar o número de lojas em 2022. Hoje, há 14 em funcionamento em nove Estados, e mais 30 em implantação.

Embora não haja funcionários nas lojas em si, a Zaitt tem uma equipe remota que monitora as unidades durante 24 horas. Os funcionários, cerca de 60, intervêm caso haja problemas, como furtos. Em situações assim, a empresa entrega as filmagens à polícia. Uma equipe também precisa ir até as unidades para realizar tarefas como renovação de estoque e limpeza.

Já nas lojas sem funcionários da Be Honest, há câmeras de monitoramento, mas a empresa não tem equipe de prontidão contra eventuais furtos e fraudes. A companhia aposta numa mudança de cultura, para o chamado honest market: seus mercadinhos, com itens de mercearia, são instalados em prédios comerciais, condomínios e hospitais, e as vendas são feitas com base na confiança no consumidor, que pega os itens desejados, paga e vai embora sem falar com ninguém.

Criada em 2020, a Be Honest tem mais de 200 mercadinhos em 25 cidades, a maior parte na região metropolitana de Belo Horizonte. Emprega 75 pessoas. O cofundador, Marcelo Carneiro, não revela o faturamento.

A expansão da franquia é focada em cidades com mais de 200 mil habitantes. Os produtos mais vendidos são cervejas e refrigerantes. Carneiro explica que as lojas são o canal que escolheram para falar dos ideais de honestidade, com a intenção ambiciosa de mudar a cultura do "jeitinho brasileiro". Ele conta que, quando há muitos furtos em um ponto, a empresa organiza intervenções educativas e diz que até hoje não precisou fechar nenhuma loja por esse tipo de problema.

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