Uma operação da Anvisa em parceria com as vigilâncias sanitárias estadual e municipal e com apoio da Polícia Civil apreendeu grande quantidade de insumos usados na fabricação de suplementos alimentares, vitaminas e fitoterápicos em uma empresa em Bauru (o nome do estabelecimento e dos envolvidos foram preservados a pedido da polícia), que foi autuada e interditada. As embalagens dos produtos mostravam datas de validade expiradas - alguns em 2005 - e um laudo apontará se realmente estão vencidos.
A operação foi realizada na última semana. De acordo com a polícia, só em comprimidos, colágeno bovino em pó e fosfato, foram apreendidos 114 quilos de material. Segundo BO, a empresa especializada em suplementos alimentares e nutracêuticos seria alvo recorrente de denúncias de irregularidades administrativas.
O documento policial também relata o não cumprimento das regras de Boas Práticas de Fabricação (BPF), como "ausência de identificação em produtos diversos, má conservação dos produtos, problemas de higiene na área de produção, fabricação de fórmulas cujos componentes na ordem de produção constaria com lote inexistente, entre outros".
Entre as apreensões, estão 75 quilos de colágeno bovino hidrolisado em pó, que teriam vencido em dezembro de 2021. O que também chamou atenção foram 19 quilos de comprimidos, aparentemente vitamínicos, prontos para comercialização, mas com parte da identificação suprimida e prazo de validade do ano passado.
Além da matéria-prima, foram encontradas ainda cerca de 60 cápsulas e dois pacotes contendo um produto que, em 2021, foi proibido pela Anvisa como suplemento alimentar e passou a ser classificado como medicamento.
Segundo o delegado Alexandre Protopsaltis, coordenador do Setor de Investigações Gerais (SIG), os responsáveis podem responder por falsificar, corromper, adulterar ou alterar produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais, com pena de até 15 anos de prisão. "Não formalizei ainda a versão do investigado para ver efetivamente o que o laudo vai constatar. Depois que tiver todos os documentos, ele terá oportunidade de se defender e apresentar as alegações dele", afirma.
INTERDITADA
Acionada pela reportagem, a Anvisa disse que a empresa foi autuada e interditada pela Vigilância Sanitária local, mas que ainda pode recorrer.