A Organização Não-Governamental (ONG) Naturae Vitae, de Bauru, procurou a Polícia Civil para denunciar o crime de maus-tratos contra aproximadamente 200 cabeças de gado que vivem em uma fazenda, em Avaí (39 quilômetros de Bauru). Segundo testemunhas relataram à entidade, ao menos 12 animais já morreram no local nas últimas semanas e as carcaças sequer foram recolhidos pelos responsáveis.
No boletim de ocorrência (BO), registrado nesta terça-feira (19), a ONG afirma que a propriedade rural é um dos bens sequestrados pela Justiça da família de Edison Bastos Gasparini Junior, ex-presidente da Cohab de Bauru, investigado pelo Ministério Público (MP) por desvios milionários da companhia, na ordem dos R$ 55 milhões, conforme o JC já noticiou.
A pessoa nomeada como administradora judicial do patrimônio de Gasparini Jr., ou seja, que se comprometeu a cuidar de todos os bens, contudo, não estaria realizando o manejo correto dos bovinos que vivem na fazenda, conforme explica a diretora jurídica da ONG e ativista, Thaís Viotto. As fotos divulgadas, inclusive, mostram que os animais estão bastante magros, com os ossos marcando a pele, em situação deprimente.
"O denunciante nos disse que uma pessoa vai até a fazenda uma vez por semana, e que há pasto e água para os animais. Então, não se sabe ao certo o que está afetando os bois e vacas, deixando eles tão magros e causando as mortes. Não se sabe se é falta de sal ou de vermifugação. Mas, o que sabemos é que há negligência no cuidado deles", explica a ativista, que também é presidente do Conselho Municipal de Proteção e Defesa Animal (Comupda) e da Comissão de Proteção e Defesa Animal da OAB Bauru.
Além disso, Thaís Viotto se preocupa pelo fato de que os animais que morreram sequer foram retirados do local, apresentando avançado estado de decomposição. As carcaças foram deixadas no mesmo ambiente onde estão os outros bovinos, já debilitados.
"Além do crime de maus-tratos, previsto no Artigo 32 da Lei 9.605/98, ao deixar as carcaças dos animais ali, sem pedir para a Cetesb o enterro adequado, o administrador judicial está infringindo o Artigo 54 da mesma lei, por causar poluição ao meio ambiente", complementa.
Agora, diante da situação encontrada, a ONG procurou a Polícia Civil, para que o crime de maus-tratos seja investigado, e afirma que também irá à Justiça, para que o responsável seja acionado a fim de realizar o manejo correto dos animais. "A sociedade precisa parar de ver o gado como uma 'coisa', e entender que são seres vivos que sentem, sofrem e precisam de cuidados. Então, vamos cobrar medidas no Judiciário a fim de salvaguardar o bem-estar e a vida desses animais. A ONG também vai elaborar seus próprios relatórios veterinários para entender o que está ocorrendo ali", conclui Viotto.
A reportagem ligou duas vezes no escritório do administrador judicial nomeado para cuidar dos bens, deixou recado com um perito criminal, além de enviar e-mail para contato, porém, até o fechamento desta edição, não obteve retorno.