Dizem os historiadores que no romântico, porém, decadente ambiente da Inconfidência Mineira os ideais maçônicos de Liberdade, Igualdade e Fraternidade eram os principais motivos encorajadores dos inconfidentes, cujas mentes estavam impregnadas dos mesmos conceitos libertários dos rebeldes norte-americanos e dos revolucionários franceses, temperados pelos ventos do Iluminismo.
Alguns pesquisadores maçônicos dotados de muita imaginação e raros documentos históricos afirmam que todos os inconfidentes, incluindo Tiradentes e Aleijadinho eram maçons, todavia, esbarram perante um cipoal entrelaçado de informações místicas e romanceadas, criadas justamente para disfarçar sob uma capa de fantasia aquilo que não se pode abertamente ser exposto.
Aleijadinho, profundamente católico e ligado à Igreja, certamente não teria sido tão cortejado e requisitado pela classe eclesiástica de Minas Gerais se participasse de um movimento pouco compreendido na época. Entretanto, o nosso fantástico Antônio Francisco Lisboa, a maior expressão da arte barroca de todos os tempos, presenteou à humanidade obras magníficas de esculturas que envolviam temas religiosos, mas grande parte delas tinham sinais evidentes de seu conhecimento maçônico.
Basta verificar com atenção suas colunas e capitéis adornados por símbolos como romãs, garras, prumos, esquadros, níveis, compassos, réguas e outros artefatos presentes na iconografia maçônica.
O que chama mais atenção nesse sentido é a disposição e posição dos profetas no átrio do santuário de Congonhas do Campo verificando enorme semelhança entre a localização das estátuas com os altares dos oficiais numa Loja Maçônica regular.
Seria mera coincidência?
Além do mais, todos os profetas foram entalhados com os pés formando uma esquadria e representaria cada um dos inconfidentes. Exemplificando, Jonas recebeu os traços fisionômicos de Tiradentes e Amós seria seu próprio auto retrato.
Afinal, ele era maçom ou não? Não há qualquer registro que o prove, mas por tudo que este magnífico artista fez com suas mãos deformadas, porém abençoadas pelo Grande Arquiteto do Universo, pelo que foi e idealizou refletindo as mais refinadas emoções em suas obras, não temos nenhum constrangimento de considerá-lo como um grande irmão. E, ao fazê-lo, sentimos um imenso orgulho nisso.
O autor é formado em História, funcionário público estadual, membro da Loja Deus, Pátria e Família, de Bauru e colaborador da coluna Opinião.