Internacional

Novas mortes de Covid-19 na China geram dúvidas

FolhaPress
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Xangai - A confirmação das primeiras mortes em Xangai em meio ao atual surto de Covid, que paralisa o polo financeiro da China, reacendeu a suspeita sobre a qualidade dos dados sobre a pandemia no país, que oficialmente só confirma 4.641 vítimas da doença desde a descoberta do vírus, no fim de 2019.

Nesta semana a administração da cidade confirmou que três pessoas morreram de Covid, duas mulheres de 89 e 91 anos e um homem de 91. Segundo o regime, os três tinham comorbidades como problemas cardíacos, diabetes e pressão alta.

"O estado das três pessoas piorou depois que foram internadas no hospital. Morreram depois que os esforços para salvá-las se mostraram ineficazes", afirmou a prefeitura.

Xangai passa por um rígido lockdown, com proibição de sair às ruas para a maior parte dos moradores, obrigatoriedade de quarentena em centros de confinamento para infectados e episódios de escassez de alimentos, o que tem provocado protestos e insatisfação na população.

A informação de que essas seriam as primeiras mortes na cidade em meses contradizem investigações jornalísticas que apontaram uma série de vítimas desde que a variante ômicron furou as rígidas barreiras do país.

Reportagem da Caixin, respeitado veículo chinês, publicada em 3 de abril, investigou a situação de idosos em casas de repouso e descobriu pelo menos 11 pessoas que teriam morrido da doença. Os jornalistas também relataram terem ouvido familiares de outras 12 pessoas mortas que supostamente estavam contaminadas. A reportagem, no entanto, foi retirada do ar pouco após a denúncia, e o regime não reconheceu as vítimas na contagem oficial.

Dias antes, em 31 de março, o jornal americano The Wall Street Journal havia relatado que "muitos pacientes morreram" em um hospital de idosos na cidade, com depoimentos de familiares de vítimas e testemunho de funcionários que viram "a remoção de uma série de corpos" do local. Outros veículos ocidentais, como a britânica BBC, também citaram mortes --em reportagem no sábado, a emissora falou em 27 mortos em apenas um hospital.

Nenhum desses óbitos, no entanto, entrou na contagem oficial de vítimas da doença na cidade, e o governo local jamais comentou as investigações.

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