Internacional

Macron e Le Pen trocam ataques

FolhaPress
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Paris - A quatro dias do segundo turno da eleição presidencial na França, os candidatos Emmanuel Macron e Marine Le Pen se enfrentaram na noite de quarta-feira (20) no único debate entre eles desta campanha. Logo no começo, dois dos temas mais quentes, o poder de compra e a política externa, motivaram troca de ataques entre os candidatos.

Primeira a falar, a ultradireitista aproveitou o tema do custo de vida para repetir promessas que ocupam o centro de sua campanha, como a redução de impostos de 20% para 5,5% sobre combustíveis e eletricidade. O aumento dos preços nos últimos meses, pressionado pela alta na energia, é a maior preocupação atual dos franceses - a inflação anual é de 5,1%.

"Minha prioridade pelos próximos cinco anos será devolver o dinheiro ao povo francês", afirmou ela.

Macron, de centro-direita, criticou a medida, dizendo que uma redução permanente de imposto é ineficaz, e ressaltou a intervenção do governo para limitar a alta de preços em eletricidade e gás, no fim do ano passado - uma medida a qual Le Pen, e ele fez questão de citar o fato, votou contra no Parlamento.

O presidente defendeu ainda que a criação de empregos é a melhor forma de restituir o poder de compra da população. "Estudei seu programa e não encontrei a palavra 'desemprego'. Sinal de que estamos fazendo um bom trabalho", disse, com ironia, o candidato. A taxa de desemprego na França é de 7,4%, a menor em quase 14 anos.

RÚSSIA

No segundo bloco, sob o tema política externa, a Guerra da Ucrânia e a relação de ambos com o presidente russo, Vladimir Putin, ocuparam a maior parte dos embates. Le Pen condenou a invasão, a qual classificou como inadmíssível, e chegou a elogiar o adversário pelos "esforços na busca pela paz".

Mas se declarou contrária às sanções que atinjam a produção de gás e petróleo da Rússia, da qual a Europa é grande importadora. "Seria um enorme dano à população francesa." Macron tem se posicionado favorável a medidas contra o petróleo russo.

BRASIL

No debate sobre a política internacional e o comércio livre da União Europeia, o Brasil chegou a ser mencionado, quando e Pen acusou Macron de favorecer a importação de alimentos estrangeiros em detrimento de produtos franceses, citando frangos brasileiros, no contexto do acordo entre o bloco e o Mercosul.

Ele afirmou que seu governo foi contra a negociação por razões relacionadas ao não cumprimento de regras ambientais. O caso é de 2019. 

Na pesquisa Ipsos divulgada nesta quarta, antes do debate, a corrida eleitoral aparece em situação estável: Macron está à frente, com 56,5% das intenções de voto, contra 43,5% de Le Pen.

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