Número três do mundo e maior mesa-tenista da história do Brasil, Hugo Calderano, 25 anos, acredita ser mais popular na China do que na sua terra natal. Ele constata isso pelos números nas redes sociais e, principalmente, pela reação que provoca quando vai ao país asiático. No Weibo, rede social chinesa, Calderano tem mais de 100 mil seguidores locais. No Instagram, são 180 mil. “Mas aí é gente do mundo todo. No Weibo, não”, explica. A intenção do brasileiro é estreitar este contato porque por ali passa o seu caminho para a inédita medalha olímpica em Paris-2024. Seu plano é, no futuro jogar a liga chinesa.
Quando for para a China, acredita que terá a chance de competir em um campeonato diferente dos demais e onde estão os dois atletas à sua frente no ranking mundial. “Sempre que eu vou à China, a galera é bem fanática. Há muitos jogadores estrangeiros que quando vão lá não conseguem ganhar muitos jogos, mesmo de chineses que não são conhecidos no cenário internacional. Também há chineses que quando saem para torneios fora não jogam bem porque estão acostumados com o estilo de jogo deles e não se adaptam. O nível é alto e dá para aprender bastante, principalmente com os melhores. Faz um tempão que eles estão no topo. Se conseguir jogar contra eles com frequência, vou evoluir”.
Os principais alvos são Fan Zhendong e Ma Long, números 1 e 2, respectivamente, do ranking mundial. Os dois têm dominado as competições internacionais. Nas Olimpíadas de Tóquio, Long foi ouro e Zhendong, prata. A China conquistou todas as primeiras colocações da modalidade, menos nas duplas mistas. Ficou em segundo.
O plano de Calderano não é novo, mas a pandemia da Covid atrapalhou tudo. Ele estava perto de chegar à final da Champions League, o mais importante torneio de clubes no tênis de mesa, mas a Guerra da Ucrânia impediu. O brasileiro era atleta da Fakel Orenburg, equipe russa patrocinada pela Gazprom, a estatal de energia do país. Estavam na semifinal e ganharam o primeiro jogo por 3 a 1.
Foi quando a Rússia invadiu o território ucraniano. O time foi retirado da competição e Calderano rescindiu contrato. Está sem clube agora, mas, como ele mesmo reconhece, para o número três do mundo não faltam propostas. “Dentro de tudo o que está acontecendo, o tênis de mesa se torna irrelevante. É claro que é chato para a gente porque quando estava chegando na fase mais divertida e legal, não pode mais jogar. Mas o que podemos fazer? Temos de aceitar porque é algo muito maior do que o tênis de mesa”, reconhece.
Calderano mora há oito anos na Alemanha e o tempo fora do Brasil o ajudou a tornar-se um atleta diferente. Tem grande interesse em línguas (fala 5 de forma fluente: português, inglês, espanhol, alemão e francês e se comunica bem em italiano e mandarim). Gosta de brincar com cubo mágico como forma de lhe dar rapidez nas mãos, além da diversão. Ele voltará para a Europa em maio. Até lá, fica no Brasil, aonde geralmente vem apenas para passar férias.