Economia & Negócios

Inflação da feira bate 166% e torna pesquisas ainda mais necessárias

Guilherme Tavares
| Tempo de leitura: 2 min

Na feira livre, o consumidor tem notado cada vez mais os impactos do que acontece no campo e no transporte dos alimentos até a banca. Influenciados pelas condições climáticas adversas e a alta dos combustíveis, alguns tradicionais itens do cardápio brasileiro sofreram inflação de até 166,17% nos últimos 12 meses, a exemplo da cenoura, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE (leia baixo). Outros produtos, ainda mais sensíveis ao clima, praticamente desaparecem das barracas, caso do brócolis, cuja oferta eventualmente chega a ser inviável para o feirante. Neste cenário, a velha máxima de pesquisar antes de comprar segue altamente valiosa para poupar o bolso e manter o cardápio completo.

Ainda segundo a pesquisa, o segundo maior vilão da inflação de alimentos é o tomate, com alta de 94,55% em março deste ano na comparação com o mesmo mês do ano passado. Na sequência, vêm o pimentão (80,44%) e o melão (68,95%). Este último, inclusive, teve saída mais difícil nos últimos meses na banca de Jamil Fidelis, feirante há 32 anos em Bauru. Outro item com bastante variação no preço foi o mamão formosa. "Compramos da Bahia, onde choveu muito no começo do ano. Semana passada, chegou a custar R$ 12,00 o quilo, hoje está R$ 8,00", conta.

De acordo com dados do Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet), foram 426,5 milímetros de precipitação em janeiro deste ano, o mais chuvoso desde 2017 (462 milímetros). A chuva daquela época ainda reflete nas feiras. O excesso de água tornou mais difícil a produção de grande parte dos legumes e verduras. O brócolis, por exemplo, podia ser encontrado, ontem, a R$ 16,00 o maço em algumas bancas da feira livre da rua Carlos de Campos, na Vila Souto, realizada aos sábados. Porém, nem todos os feirantes ofereciam o produto, tamanha dificuldade de consegui-lo com fornecedores.

Feirante há 28 anos, João Roberto de Souza também tem lidado com as variações de preços. "A cenoura hoje está R$ 10,00 o quilo, mas semana passada estava R$ 12,00. O tomate custava R$ 13,00, essa semana caiu um pouco, está R$ 10,00 o quilo", conta o vendedor, que aposta nas famosas bandejinhas de tomate, cenoura e pepino. "Às vezes, tem uma marquinha. Dá para consumir normalmente, mas se o cliente for escolher, ele não pega na banca", explica.

Frequentadora da feira livre, a fonoaudióloga Anahy Acosta, 58 anos, já era adepta de pesquisar antes de comprar. Agora, transformou o hábito em regra. "Tem coisa que eu só compro quando pego promoção", revela. Opinião compartilhada pela tosadora Edna Cleonice Alves de Souza, 56 anos. Quando não dá para levar tomate, o jeito é inventar outra salada. "Tomate não pago R$ 10,00 o quilo", afirma.

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