Economia & Negócios

Março registra 99,9% de aumento na venda de imóveis usados em Bauru

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Uma pesquisa realizada pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP) aponta que Bauru registrou, em março deste ano, 99,9% de aumento na venda de imóveis usados (os números absolutos não foram apresentados pela entidade). Apesar de o período ser relativamente curto, já que a comparação é feita com base em fevereiro, a órgão considera o resultado surpreendente e o classifica como um termômetro para todo o setor em 2022.

A avaliação é feita pelo presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto, que esteve em Bauru nesta semana (leia mais abaixo). "99,9% é muita coisa, ficamos surpresos. Geralmente, o crescimento é de 15% ou, no máximo, 30% de um mês para o outro. Agora, veremos o comportamento do mercado em abril para avaliar como será. Mas, esse aumento positivo fora do comum já é um termômetro do ano para o setor, que deve continuar crescendo", ressalta o presidente do Creci-SP.

"O número demonstra que havia grande demanda reprimida em Bauru. Bastou a Caixa baixar os juros, de uma média de 10% para 8,3%, em março, para que o mercado se movimentasse além do esperado. O porém é que, agora, a taxa aumentou de novo, está na média de 9,8%. Mas, acreditamos que ela vá baixar novamente em, pelo menos, um ponto percentual", acrescenta José Viana.

Além da queda na taxa de juros a financiamentos habitacionais, o presidente do Creci-SP aponta que o cenário de aumento de carteiras assinadas pelo País também colaborou para que o mercado alavancasse em março. "O Brasil estava com 14 milhões de desempregados e, agora, este número caiu para 11,2 milhões. E, nos últimos 90 dias, batemos o recorde na criação de novos empregos em 20 anos. Isso tudo tem trazido mais confiança para as pessoas nos negócios. A carteira assinada é um documento incontestável para o financiamento habitacional", enfatiza Viana.

Segundo ele, pesquisas indicam que 3,5 milhões de brasileiros teriam deixado de adquirir imóveis em 2021, por não terem como comprovar a renda familiar exigida pelos bancos.

MAIS COMERCIALIZADOS

De acordo com a pesquisa feita pelo Creci-SP, 40% dos negócios concretizados em março em Bauru foram de imóveis na faixa de até R$ 200 mil, como apartamentos de 47 metros quadrados e casas com até 100 metros quadrados.

Das transições realizadas, 70% se concentraram em imóveis com localizações na região central da cidade e áreas mais periféricas. "No Centro, a maioria das casas e apartamentos são antigos e, por isso, com preços mais baixos", analisa Viana.

LOCAÇÕES

O estudo de mercado da Delegacia Regional de Bauru detalha ainda que as locações de imóveis residenciais, por sua vez, apresentaram, em março, queda de 50%. Casas com dois dormitórios e com valor de aluguel até R$ 1.250,00 foram as opções de 60% dos inquilinos.

O presidente do Creci-SP observa que essa diminuição já era esperada, em razão do perfil universitário da cidade. "Não nos traz preocupação, porque o movimento mais forte da locação em Bauru se dá nos meses de janeiro e fevereiro, em razão do retorno das aulas presenciais nas universidades. Então, em março, uma diminuição é comum", pontua ele.

A avaliação é complementada pelo delegado regional do Creci-SP, Daniel Andrade. Ele aponta que a queda não é maior em razão de o município registrar um novo perfil de público, além do universitário. "O mercado de locação tem sido bastante movimentado por causa de uma empresa de celulose que se instalou em Lençóis Paulista. Os trabalhadores têm alugado casas aqui e pegam ônibus fretados nas principais avenidas de Bauru. Muitos, inclusive, acabam ficando até em hotéis, por não haver imóveis suficientes para locação na região", acrescenta Andrade.

Em Bauru, a Delegacia Regional do Creci-SP representa 1.456 corretores de imóveis e 203 imobiliárias.

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