Jaú - Uma parceria entre o Hospital Amaral Carvalho (HAC) de Jaú (47 quilômetros de Bauru) e o Sistema Único de Saúde (SUS) está permitindo que pacientes que perderam a voz em decorrência da retirada total da laringe durante tratamento contra o câncer voltem a falar com a ajuda da chamada "laringe eletrônica". Os aparelhos serão entregues mensalmente ao hospital que, além da distribuição, auxiliará no processo de adaptação.
Apesar de o equipamento ter sido incorporado ao SUS em 2018, somente no fim de 2020 o HAC conseguiu ingressar com a documentação para que seus pacientes fossem contemplados. A partir de agora, o hospital passa a receber lotes mensais dos aparelhos. Por meio da emissão de uma onda sonora contínua, a laringe eletrônica possibilita ao paciente voltar a falar.
"A ideia inicial é possibilitar que pacientes submetidos à laringectomia total recebam a laringe eletrônica e passem pelo processo de adaptação ao aparelho", explica a fonoaudióloga do hospital Renata Furia Sanchez. Depois de atendida essa demanda, a meta é fornecer o equipamento imediatamente após cirurgia para que o paciente não fique sem poder se comunicar".
Donizete Marinho, 62 anos, foi um dos pacientes do HAC beneficiado pela tecnologia via SUS. Diagnosticado com câncer da laringe, foi submetido à cirurgia de laringectomia total (retirada da laringe) no fim de março de 2021, em plena pandemia, no hospital em Jaú. O procedimento, imprescindível para tentar acabar com a doença, fez com que Marinho perdesse sua fala.
Durante o processo de reabilitação, uma filha atuou como intérprete do pai. "Imagina você tentando falar e não tendo voz. Foi um ano assim. Você se sente incapaz. As pessoas não te entendem", conta o paciente. Recentemente, durante retorno ao médico, ele foi surpreendido com a notícia de que ganharia uma laringe eletrônica. Agora, passa por período de adaptação e está reaprendendo a falar de forma devagar para ser entendido.
RETOMADA
Antes da pandemia, semanalmente, pacientes do HAC de Jaú submetidos ao procedimento de retirada da laringe participavam de grupos de reabilitação com uma equipe multidisciplinar, composta por psicólogas e fonoaudiólogas. De acordo com Sanchez, a ideia é retomar esse serviço, mas com um número menor de pacientes por sessão. "É muito importante esse suporte da equipe para a reabilitação do paciente", afirma a fonoaudióloga.