Quem mora em áreas de grande vulnerabilidade social convive diariamente com riscos. Mas é exatamente por meio de um outro tipo de riscos, aquele que ele traça no papel, que o bauruense Mateus Henrique Amaral, 18 anos, sonha em galgar um futuro melhor para ele e para a família. Com o lápis na mão, o jovem traceja formas e contornos, criando belas ilustrações, geralmente rostos ou animais.
Hoje, Mateus mora com a mãe, padrasto e cinco irmãos no Parque das Nações, uma das áreas em maior situação de vulnerabilidade em Bauru. Mesmo diante das dificuldades, ele deposita no próprio talento uma chance de mudar de vida.
"Desenho desde pequeno, os professores me elogiavam na escola. Descobri que precisava de algo para fugir da realidade", explica o jovem, referindo-se tanto à vontade de deixar a imaginação fluir quanto à necessidade de esquecer, mesmo que momentaneamente, o mundo à sua volta. "Aqui é ruim, tipo um beco. Existem riscos, drogas e outros problemas. Conheci outros jovens que, infelizmente, seguiram por esse rumo", conta Mateus, hoje operador de telemarketing. A mãe, segundo ele, se esforça constantemente em orientar os filhos para que se afastem de tais situações.
NO PAPEL
No papel, as ilustrações preferidas são as de animais, como pássaros, gatos, entre outros. "Também costumo fazer flores e rostos", conta Mateus, que usa lapiseiras, lápis de cor e, mais recentemente, tem se arriscado na aquarela. "Procuro desenhar, pelo menos, uma vez por dia. Busco referências e vou exercitando".
O plano, segundo ele, é aprimorar o talento com algum curso na área. A ideia inicial era fazer Design de Interiores, uma forma de continuar desenhando, enquanto projeta um ambiente. Mas os valores das mensalidades são inviáveis para a família. "Agora, estou estudando para o Enem. É uma forma de tentar entrar em alguma graduação relacionada com a área do desenho", explica o jovem, mirando a prova agendada para novembro.
O objetivo, por meio da arte, não é apenas ter uma casa melhor, mas também visitar muitos lugares. "Sonho em viajar o mundo, conhecer outros países. Quero fazer um painel com vários pequenos desenhos, cada quadradinho representando um país. Se, hoje, pudesse ir para outro lugar, gostaria de estar no Havaí, desenhando o mar e as praias", revela.
Quem tiver interesse em contribuir ou mesmo ajudar Matheus a realizar o sonho de fazer algum curso de graduação relacionado à área de desenho, pode fazer contato pelo telefone (14) 98816-9732.