Apesar da reivindicação que gerou mobilização nos últimos meses para que o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC), o Centrinho, continue vinculado à Universidade de São Paulo (USP), e não passe a ser gerenciado pela mesma Organização Social (OS) que vai administrar o Hospital das Clínicas (HC), o movimento de profissionais, políticos e pacientes parece não ter sensibilizado a USP e o assunto não entrou na pauta da reunião do Conselho Universitário (CO), ocorrida na última terça-feira (3).
A inserção era vista como muito importante pelo grupo que teme a precarização dos serviços caso a administração do HRAC passe para uma organização social. Por isso, o mesmo grupo se mobilizou e diz ter conseguido as assinaturas necessárias dos membros do conselho da USP para que o assunto seja incluído na pauta da próxima reunião, que deve ocorrer entre os meses de julho e agosto.
O assunto já foi tema de uma audiência pública realizada na Câmara de Bauru, promovida pela vereadora Estela Almagro (PT), que contou com a participação popular de pais, pacientes e ex-pacientes do hospital, vereadores e ainda o envolvimento de professor e entidades sindicais, como o Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo (Sintusp) e do Conselho Estadual de Saúde.
Também houve a manifestação de políticos como o deputado federal Rodrigo Agostinho (PSB) e deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL), que saíram em defesa da manutenção do hospital vinculado à USP.
Como encaminhamento da audiência, uma carta aberta e uma petição foram endereçadas ao Conselho Universitário da USP pedindo para que fosse incluída em sua reunião a questão da desvinculação do HRAC.
Também foi realizada uma manifestação na USP, em São Paulo, uma semana depois da audiência, durante reunião extraordinária do CO, com objetivo de demonstrar a preocupação quanto à mudança.
Na ocasião, os manifestantes não conseguiram contato com os membros do conselho. E, segundo a vereadora Estela, o assunto também não foi tratado esta semana na reunião ordinária do CO, mas representantes dos funcionários no Conselho conseguiram o número de assinaturas necessárias para que o assunto entre na pauta da próxima reunião. "Foram conseguidas 26 assinaturas, ou seja, os 20% dos 129 membros do Conselho, podendo chegar a mais, para colocar (o assunto desvinculação do Centrinho) na pauta da próxima reunião", garantiu.
A vereadora, que acompanha o caso, informou ainda que na quarta-feira (4), durante reunião da diretoria do Sintusp, houve a definição pelo indicativo de paralisação dos funcionários do Centrinho no dia 24 de junho, data de aniversário de 55 anos de fundação do hospital.
O indicativo ainda será submetido a uma assembleia dos funcionários, que está prevista para ser realizada no dia 21 de julho. "Também haverá um grande ato e agitação no dia 24. No dia da reunião do Conselho Universitário da USP também faremos uma mobilização. A luta continua", garantiu a vereadora.