Tribuna do Leitor

Mamãedemia

Professor Sinuhe, um pai que
| Tempo de leitura: 1 min

sarcásticos a ela dirigidos

Não sabia mais contar dias,

somente semanas e meses

Não imaginava que daria à luz mais

que a lâmpada

Não conseguia ver na cara de joelho

um rosto

Não via que seria nunca mais a

mesma

Não pensara que doaria mais leite

que o Banco de Leite

Não se via trocando fraldas fedidas

Não se olhava no espelho, não

sabia o que veria

Não tinha mais namorado ou

marido, só uma criatura para

chamar de sua

Não foi mais ao salão, limitou-se a

uma cadeira para amamentar

Não jogou, não foi à academia

Não deixava a mãe, a avó,

estragar o certo

Não sabia que as monossílabas

eram amigas

Sim, Não e Mãe eram amigas,

ditongos nasais

Sim, estava depressivamente feliz

Sim, tinha apenas um indivíduo

que valia o coletivo

Sim, não precisava de ninguém,

tinha alguém

Sim, era mais que a Liga da

Justiça inteira

Sim, os seios podiam cair, desde

que nos mais lindos dos lábios

Sim, não sabia qual era o atual BBB

Sim, não via horas nem senhoras ou

sem horas

Sim, era um mulherão da zorra

Sim, era um ser raro, ímpar sendo

par com a cria

Sim, naquele dia, orou: Mãe nossa que está na casa, dignificado seja o seu nome, vem a nós o seu peito, seja feita a sua vontade assim na Terra como no filho meu.

A mão nossa de cada dia nos afague e perdoe a quem não quer ser mãe, assim como abençoe a todas mães e não nos deixe de ser mãe!

Amém.

 

Comentários

Comentários