Tribuna do Leitor

Juízo Final

Olga Neme Daré e Benedito Godoy Paiva, autor, oferecem estes versos, a todas as mães, neste dia a elas dedicado.
| Tempo de leitura: 2 min

Sentado o Pai Eterno em trono refulgente,

Olhar severo envia, a toda aquela gente!

Enquanto anjos cantam, outros vão levando,

Ante a figura austera desse Venerando,

As almas que, da tumba, emigram assustadas

Vendo o tribunal solene, majestoso,

Em que vão ser julgadas.

Dois grupos são formados,

Um de cada lado:

O da direita, céu; o da esquerda, o inferno.

E satanás ao canto, o chifre fumegante,

Espera, impaciente, impávido, arrogante,

A "turma" para o inferno.

Aconchegando o filho, a alma bem-amada,

E que na Terra fora algo desatinada,

Uma mulher se chega e a sua prece faz,

Rogando ao Eterno Pai,

poupe do inferno o pobre rapaz.

Alisa, o Pai Eterno, a longa barba branca

E, os óculos ajustando à ponta do nariz,

O olhar dirige, então, à pobre mãe

E, compassado, diz:

"Mãe, os anjos vão levar-te, agora, ao Paraíso

E dar-te a recompensa: o teu descanso eterno!

Ali desfrutarás felicidades mil,

Porém, teu filho mau, irá para o inferno!

Um anjo toma o moço e o leva a satanás;

Porém, a pobre mãe, ao ver partir o filho,

Aflita, corre atrás!

E, ao incorporar-se às hostes infernais,

Eis que grita o Pai Eterno, em tom assustador:

- Mulher, para onde vais?!!

E o que passou-se, então,

Ninguém esquece mais:

- Eu vou para o inferno, ao lado do meu filho,

A repartir comigo a sua desventura!

As lágrimas de mãe, as gotas do meu pranto,

Acalmarão, no inferno, a sua queimadura.

Eu deixo para ti, esse teu paraíso,

Essa mansão celeste, onde o amor é surdo!

Onde se goza a vida a comtemplar tormento,

Onde a palavra amor contém um absurdo!

Entrega este teu céu às mães malvadas, vís,

Que os filhos já mataram, para os não criar,

Pois só essas megeras poderão, no céu,

Ouvir gritar seus filhos sem se consternar!

Desprezo esse teu céu! O meu amor é grande!

Imenso! Assaz sublime! E, posso te afirmar

Que, se não te comove o pranto do inferno

E os que no inferno estão todos filhos teus,

O meu amor excede, ao próprio amor de Deus!

E, ante o estupefato olhar do Pai Eterno,

A mãe beijou o filho

... E foi para o inferno!"

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