Moscou - Após muita antecipação e a expectativa de que faria um anúncio de grande impacto sobre a Guerra da Ucrânia, Vladimir Putin entregou um discurso convencional para celebrar o 77º aniversário da vitória sobre a Alemanha nazista, nesta manhã em Moscou.
Evocou o passado e associou o governo em Kiev ao nazismo, mas não anunciou uma mobilização nacional ou declarou guerra à Ucrânia, muito menos à Otan, aliança militar ocidental que está fornecendo o grosso das armas usadas pelos vizinhos contra a Rússia. Também não houve triunfalismo sobre vitórias inexistentes até aqui.
"Vocês estão lutando pela Pátria Mãe, pelo seu futuro, então não esqueçam as lições da Grande Guerra Patriótica. Não há lugar no mundo para carrascos, justiceiros e nazistas", disse Putin, referindo-se ao nome russo aos anos do conflito mundial travados pela União Soviética - iniciado em 1939 na Europa, ele chegou dois anos depois ao país então liderado por Josef Stálin, que até ali era aliado de Adolf Hitler.
"Você estão lutando pela mesma coisa que seus pais e avós lutaram", disse. Putin falou por 11 minutos, a partir das 10h15 (4h15 em Brasília), um pouco mais cedo do que o previsto e com duração algo maior do que em outros anos. Foi saudado por tiros de canhão junto à muralha do Kremlin, no ritualizado desfile. Putin repetiu, com pouca variação, o que vem falando desde a invasão do vizinho, há 75 dias. "Vocês estão lutando por nosso povo no Donbass, pela segurança da Rússia", disse. O reconhecimento das duas autoproclamadas repúblicas da região, na prática autônomas desde a guerra civil iniciada em 2014, foi o prelúdio da guerra e uma de suas razões.
OTAN
Outro motivo alegado, que fora objeto de um ultimato ao Ocidente em dezembro, havia sido impedir a adesão da Ucrânia à Otan, trazendo forças inimigas para sua maior fronteira a oeste. Voltou a dizer que a culpa pela guerra reside no que vê como conluio ocidental com Kiev, e que "não teve opção".
"Os países da Otan não quiseram nos ouvir. Eles tinham planos diferentes, e nós vimos isso.
Eles estavam planejando uma invasão de nossas terras históricas, incluindo a Crimeia. A Rússia rejeitou preventivamente a agressão, foi uma decisão forçada, oportuna e correta", disse o presidente russo, no poder desde 1999.
SUMIÇO
A parada contou com uma aparente ausência: não surgiu em nenhuma imagem o general Valeri Gerasimov, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Rússia.
Na semana passada, circulou a informação de que ele havia feito uma visita surpresa às linhas de frente na Ucrânia, o que não foi confirmado nem desmentido por Moscou.
Ao mesmo tempo, surgiram rumores de que Gerasimov, número 3 da hierarquia militar russa, tinha sido ferido por artilharia ucraniana.
Ele não desfila em carro aberto, ao contrário do número 2, o ministro da Defesa, Serguei Choigu, e um dos números 4, o chefe das Forças Terrestres, Oleg Saliukov, que é o comandante da parada.