Economia & Negócios

Em uma década, número de feirantes tem aumento de 152% no município

Larissa Bastos
| Tempo de leitura: 3 min

A quantidade de feirantes não para de crescer em Bauru. Em uma década, segundo dados da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra), o número de profissionais aumentou 152%, saltando de 220 para os atuais 554, inclusive com fila de espera para regularização. E, para abrigá-los, a cidade vem ganhando cada vez mais feiras livres. Em 2012, eram apenas 24. Hoje, já são 39, com previsão de subir para 40 no mês que vem, com a inauguração da feira noturna na Vila Tecnológica (leia mais ao lado).

Uma das que entraram no ramo nesta última década foi Andrea Oliveira, de 51 anos. Desde 2016, ela sustenta a família comercializando sucos naturais em seis feiras livres de Bauru. "Em 2015, fiquei desempregada devido à redução de gastos dentro da empresa. E, durante visita a uma feira livre, achei que seria capaz de estar ali, prestando um serviço e ganhando meu dinheiro. Em 2016, consegui meu alvará na Sagra e comecei. A feira mudou a minha vida e a vida da minha família. Hoje, não saio mais para trabalhar em uma empresa, porque sei que aqui consigo ganhar muito mais", relata a feirante.

DESEMPREGO

E é justamente ao desemprego que o titular da Sagra, Jorge Luiz Abranches, atribui o crescimento do número de feirantes. "Muitas pessoas perderam o emprego por conta da crise econômica e viram nas feiras a oportunidade de conseguir ganhar dinheiro e sustentar a família", avalia o engenheiro agrônomo.

Esse movimento também fez com que praticamente dobrasse a quantidade de feiras livres organizadas pela Sagra na cidade neste período, além de fortalecer as que já existiam, como a da Praça Nabih Gebara, no Jardim Estoril, que é realizada às quintas-feiras, das 16h às 20h; e a da quadra 12 da avenida Jorge Zaiden, às terças-feiras, das 16h às 21h. A principal e mais movimentada delas, contudo, continua sendo a da rua Gustavo Maciel, no Centro, aos domingos, das 6h às 12h30.

FILA DE ESPERA

Mesmo com o aumento das feiras, atualmente, há fila de espera para obter alvará. "Hoje, nosso objetivo é não só estudar lugares para inaugurar novas feiras, mas também revitalizar as que já temos, para que não fechem. Temos que ter o cuidado de não colocar várias barracas do mesmo produto porque, se ampliamos, geramos muita concorrência e prejudicamos quem já está trabalhando há mais tempo no ponto", ressalta o secretário.

Nos locais onde as feiras livres são organizadas pela pasta, há pontos de energia gratuita para as barracas, banheiro químico (nos principais) e limpeza realizada pela Emdurb após o encerramento. A lista completa com endereços e horários pode ser encontrada no link https://www2.bauru.sp.gov.br/sagra/feiras.aspx.

DIVERSIFICAÇÃO

Além disso, diante da popularização, também cresceu o interesse de ambulantes, como proprietários de food trucks e trailers, em também trabalhar nas feiras livres. "Foi outro setor que cresceu bastante por conta da crise do desemprego. Mas, evitamos a entrada nas feiras para não descaracterizar. E ainda existem vários eventos na cidade voltados para esses profissionais. O objetivo da feira sempre foi atender o agricultor, principalmente o da agricultura familiar", conclui Abranches.

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