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Preço do óleo de cozinha dispara e comerciantes se viram como podem

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Na esteira dos vários produtos com significativos aumentos de preços, o encarecimento do óleo de soja, um dos principais itens da cesta básica, tem tornado ainda mais difícil o equilíbrio das contas para a população em geral e também para os comerciantes do ramo alimentício, que estão se virando como podem em Bauru. Somente em 2022, o valor de um dos produtos mais usados pelos brasileiros na cozinha já cresceu cerca de 20%.

Esta não é a primeira onda de aumentos que circunda o óleo de soja. O mesmo litro que, hoje, é encontrado por cerca de R$ 10,00 nos supermercados bauruenses era comercializado, em 2020, pela metade do preço.

Com a disparada neste ano, os comerciantes que trabalham com esse produto têm tentado várias estratégias para driblar a elevação. Alguns diminuíram a margem de lucro e outros migraram para gorduras alternativas.

"No início deste ano, tivemos que aumentar um pouco os preços no cardápio por causa da alta dos alimentos, mas as coisas não param de subir e está cada dia mais difícil manter tudo para segurar a clientela. Só de óleo de soja, temos desembolsado uns R$ 150,00 por dia, porque usamos cerca de 15 litros para produzir as refeições do almoço e as porções à noite", comenta Pablo Cardoso Peres, proprietário de um bar/restaurante que funciona desde 2015 na quadra 2 da avenida Cruzeiro do Sul, Higienópolis.

O comerciante conta que, para diminuir os impactos do item inflacionado, tem redobrado a atenção com relação às promoções anunciadas pelos atacadões da cidade. "Outro dia, consegui comprar o litro de óleo de soja por R$ 8,99. Mas, na maioria das vezes, pago cerca de R$ 10,00. Para conseguir equilibrar, acabo diminuindo o lucro, porque reduzir a qualidade ou a quantidade dos alimentos para a clientela não dá", ressalta ele, complementando que tem feito menos passeios com a família para conseguir fechar a conta mensal.

"Tem muita gente por aí que reutiliza o óleo nas frituras até o limite, mas isso é ruim, porque queima e encharca o alimento. Com isso, você perde a qualidade e o cliente", observa Pablo.

MIGROU

Proprietário de uma pastelaria na quadra 5 da rua Rio Branco, no Centro, Maicoll Henrique Tokumitsu, além de trabalhar com margem de lucro menor, diz ter optado também por outro tipo de óleo, que rende mais. "Por semana, usamos até 70 litros de óleo para frituras, mas, por causa da alta, migramos do de soja para o óleo de algodão, que rende mais por ter uma combustão mais tardia. Foi uma boa alternativa, porque a qualidade é até melhor, os produtos ficam mais sequinhos", compara.

Ele pondera, no entanto, que ainda assim não tem sido fácil equilibrar as contas. Em 2020, inclusive, quase fechou as portas do negócio de 27 anos em razão das restrições geradas pela pandemia, que derrubaram em até 70% a clientela. "Apostamos no delivery e deu tudo certo. Mas, agora, essa onda de aumentos de preços tem preocupado, porque, se repassarmos para o cardápio, podemos voltar a perder clientes", reflete o comerciante.

Em rápida volta pela Praça da Paz, a reportagem constatou que trailers também não utilizam mais o óleo de soja para frituras, mas sim um produto alternativo.

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