Nosso matutino diário, o conceituado Jornal da Cidade, publicou em manchete notícia de que em 2022 poderá não haver falta de água em Bauru. Excelente informação. A propósito, há alguns anos sou assinante da revista Sophia, que trata de assuntos relacionados à ciência, religião e filosofia. No exemplar Nº 78, com o título de "Além da Ilusão", encontrei a história que ilustra o ilusório. Nela se lê, em determinado trecho, o instante em que Moisés dirigiu-se à humanidade, advertindo-a com as seguintes palavras: 'Em determinada data, toda água do mundo que não tiver sido especialmente armazenada desaparecerá e, ao depois, será substituída por uma água diferente, que, servida, levará as pessoas à loucura.'
Apenas um único homem deu ouvidos ao significado daquele conselho. Então, ele recolheu água e a armazenou em um local seguro. Na data que houvera sido prevista, as correntes de água jamais fluíram e os poços secaram. Diante do acontecido, o homem foi para o seu retiro e bebeu da água que lhe reservara. Estando ali, passado algum tempo, viu as águas novamente surgindo. Voltou para junto das demais pessoas e viu que estavam pensando e falando de maneira diferente e não guardavam na memória nada do que acontecera, nem de que haviam sido avisados do possível acontecimento.
Tentando dialogar com elas, percebe que todos o consideravam louco, mostravam hostilidade ou compaixão, mas não o compreendiam. Nos primeiros dias o homem voltou ao seu esconderijo para beber do seu suprimento. Finalmente decidiu beber da água nova por não suportar mais a solidão de viver, comportar-se, e pensar diferente dos outros. Ele bebeu e se tornou como as outras pessoas, esqueceu tudo a respeito de seu reservatório especial e passou a ser visto como o louco que, misericordiosamente, teve a sanidade restaurada. Essa história mostra como é difícil ser fora do normal. Encontrar o real é, muitas vezes, uma jornada solitária.
A narrativa nos leva a algumas importantes reflexões, porque nos fala sobre água, loucura e ilusão. Nos dias de hoje, aqueles que sabem que a água é um bem finito pregam, anunciando a necessidade de sua preservação consciente e uso racional no sentido de que sua utilização possa nos garantir a sobrevivência, já que o precioso líquido constitui o princípio da vida. Aqueles que assim pensam e agem, talvez sejam considerados loucos, alienados e não se fazem compreender pelo céticos, os que imaginam que jamais faltará. Pura ilusão. Em muitas partes do mundo sua escassez já se faz sentir e muitos irmãos nossos já sentem os seus efeitos, precisando dessalinizar a água do mar ou importar esse precioso bem de plagas outras. Ainda que considerados loucos em nossa jornada solitária, estejamos racional e conscientemente convictos dessa grande realidade.
Façamos a nossa parte!