Uma obra realizada na quadra 43 da Nações Unidas, ao lado do cruzamento desta via com a avenida Jorge Zaiden, no Jardim Contorno, gerou reclamações de pedestres e motoristas que passaram pelo local e ficaram intrigados com um suposto calçamento no canteiro central. A movimentação chamou a atenção de leitores que, inclusive, escreveram cartas críticas à prefeitura na Tribuna do Leitor. Segundo o secretário de Obras, Leandro Joaquim, não se trata de calçadas novas no canteiro central, mas sim de ciclovias que conectarão a Jorge Zaiden até a avenida Luís Edmundo Coube, região do Hospital Estadual, no Núcleo Geisel.
A prefeitura não divulgou antecipadamente o que seria feito ali, causando esse ruído de comunicação e dúvidas nos contribuintes. De acordo com o secretário municipal, serão duas pistas de 1.200 metros cada que serão construídas via contrapartida da iniciativa privada, devido a três empreendimentos imobiliários daquela região. Também serão feitas calçadas naquele trecho. "Temos registros que as ciclofaixas estão causando situações de perigo e até acidentes, por isso precisamos de ciclovias. A construção começou recentemente e depois teremos ali naquela área as novas calçadas também, nas laterais, onde devem ser", comentou Leandro Joaquim.
CRÍTICAS
Cleuder Graça Leite, em seu texto publicado na Tribuna do Leitor de sexta-feira (13), manifestou indignação com relação à construção das supostas calçadas no canteiro central da Nações Unidas. "Eu imaginei que iriam aumentar as laterais das pistas [...]. Não existe calçada do lado direito da referida avenida no sentido centro/bairro. A meu ver, estão expondo os pedestres que por ali passam, há um risco iminente de acidentes, pois estarão de frente e de costas para os dois lados do fluxo de veículos que por ali passam", diz trecho de seu texto na coluna.
No dia seguinte, sábado (14), o leitor Antonio Sergio Sanches também enviou texto fazendo reclamações semelhantes na Tribuna.
Vista como saudável, econômica e ambientalmente correta, as bicicletas tiveram um 'boom' de vendas em Bauru em 2020 e início de 2021. O ciclismo também é considerado um dos esportes que mais cresceram durante a pandemia. Porém, as bikes estão praticamente 'invisíveis' no perímetro urbano, já que a cidade está muito longe do ideal para acolher os ciclistas.
Nesta segunda-feira (16) à tarde, na mesma quadra 43, a reportagem registrou um ciclista se arriscando na Nações ao lado dos carros, no sentido bairro-Centro, além de pedestres atravessando a perigosa e íngreme trilha em local sem calçada, no sentido oposto.
SÓ NO PAPEL
Em julho de 2018, a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) garantiu na época, por meio do Plano de Mobilidade Urbana de Bauru, que as ciclovias começariam a ser conectadas e que os 10 quilômetros existentes aumentariam para 70 até dezembro de 2020. O fato empolgou, em vão, os ciclistas. Hoje elas continuam segmentadas em trechos isolados. O assunto já foi discutido na Câmara pela atual Legislatura.
Atualmente, a cidade conta com pouco mais de 12% do total previsto como ideal para o deslocamento por meio de bicicletas em ciclovias e ciclofaixas. Dos 225,5 quilômetros previstos no Plano, Bauru possui 12,1 quilômetros de ciclovias, 12,3 quilômetros de ciclofaixas de trabalho e 4,3 quilômetros de ciclofaixas destinadas ao lazer, que juntos totalizam 28,7 quilômetros ou 12,75% do total previsto.
DIFERENÇAS
Nas ciclovias, existe uma separação física entre as bicicletas e os automóveis. E os trechos são destinadas exclusivamente para a circulação de ciclistas. Nas ciclofaixas, a pista em que os veículos e as bicicletas circulam é a mesma, mas há a separação dos espaços exclusivos para os ciclistas apenas pela pintura do solo.