A lentidão para aprovação de projetos na Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) tem gerado rumores de que servidores insatisfeitos com os salários defasados e a sobrecarga de serviço estariam realizando uma espécie de "operação-padrão", atrasando os processos. O assunto tem repercutido entre usuários da pasta e também circula nos bastidores políticos, repercutindo até mesmo na tribuna da Câmara Municipal. Nesta terça-feira (17), funcionários e o secretário Nilson Ghirardello negaram veemente ao JC a existência de qualquer operação do tipo. Eles até admitem a demora, contudo, apontam ser decorrente do número insuficiente de profissionais diante da alta demanda.
"Não existe greve ou 'operação-padrão'. A demora que a população tem sentido é a realidade da Seplan. Vivemos uma debandada de profissionais nos últimos dois anos justamente por conta do baixo salário e, na contramão, tivemos o aumento do volume de serviço, porque a cidade cresceu", afirma a arquiteta Ellen Beatriz de Castro, que é funcionária da Seplan há 13 anos e diz representar um grupo de aproximadamente 80 servidores municipais, entre arquitetos, engenheiros, desenhistas e topógrafos.
SALÁRIOS DEFASADOS
Ela conta que a insatisfação salarial na pasta existe há anos pelo fato de a prefeitura contratar arquitetos e engenheiros por valores bem abaixo do piso, que é cerca de R$ 10 mil.
No fim de 2021, quando os concursos voltaram a ser realizados diante do arrefecimento da pandemia, alguns servidores teriam demonstrado certa frustração após compararem os cerca de R$ 3,7 mil que Bauru paga com o que outras prefeituras têm ofertado em certames a profissionais do segmento em início de carreira: entre R$ 9 e 11 mil.
A situação teria gerado uma conversa entre as categorias em janeiro deste ano. Ellen Beatriz de Castro ressalta, contudo, que a decisão foi por não iniciar um movimento, mas sim aguardar a análise do município sobre o assunto, já que outras carreiras também viriam sofrendo com baixa remuneração e desfalque.
"Temos consciência de que um movimento assim não é baderna. É algo que precisa ser comunicado antes, inclusive aos sindicatos. E todo mundo entrou em acordo que greve não seria a opção", pontua. "Tem muita gente decepcionada com esses rumores, porque é uma humilhação dizer que estamos fazendo uma 'greve ilegal' ou uma 'operação tartaruga'. Isso não prejudicaria só a população, mas a nós mesmos, porque o trabalho acumula ainda mais. O pessoal do meu setor tem dado o sangue para dar conta do serviço", fecha questão a servidora.
'MUDAR O FLUXO'
Entre os vereadores que comentaram na tribuna sobre os rumores de uma 'operação-padrão' na Seplan está Coronel Meira (União Brasil). O parlamentar diz ter recebido tal informação de usuários descontentes com o serviço.
"Soube até de empreendedor que precisou entrar na Justiça para conseguir Habite-se. Eu, particularmente, acredito que algum movimento possa existir sim em razão da própria insatisfação dos servidores", frisa o vereador. "Mas, se não existe nada, então é até pior. A Seplan precisa de uma mudança urgente de fluxo para conseguir dar andamento aos processos com a mão de obra que possui", acrescenta Meira.
'IRÁ MELHORAR'
Nilson Ghirardello, titular da Seplan, também nega um possível movimento de atraso proposital nos processos. "Circulo o tempo todo pela secretaria e não vi isso em nenhum lugar. Sei que temos problemas e as coisas não têm andado da forma como nós e os cidadãos gostaríamos, mas realizamos reestruturações e acredito que, até o fim ano, irá melhorar", projeta o secretário, referindo-se à implantação do alvará autodeclaratório online, que promete aliviar, segundo ele, 80% da demanda de projetos que entram para análise na pasta.
Atualmente, três arquitetos estão em fase de contratação pela Secretaria de Planejamento. Outros três concursos são previstos para 2022.