Política

"O fenômeno da polarização também está na sala de aula", afirma professor

Tânia morbi
| Tempo de leitura: 3 min

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) comemorou o aumento de 47,2% entre os novos eleitores, com idade entre 16 e 18 anos, registrados no cadastro eleitoral pela Justiça Eleitoral para as eleições 2022. Segundo o TSE, entre janeiro e abril deste ano, 2.042.817 novos eleitores nesta faixa etária se habilitaram a votar. Considerando este incremento, o Café com Política, do programa Cidade 360º conversou com o professor bauruense de filosofia Khalil Axcar, de 37 anos, educador na área de Ciências Humanas com ênfase em Filosofia e Sociologia.

Participaram do bate-papo com o professor, que também é presidente da ONG Instituto Fruto Urbano, o economista Reinaldo Cafeo; o diretor de jornalismo do Jornal da Cidade, João Jabbour; o especialista em marketing político e comunicação, Kleber Santos, e o jornalista e apresentador do programa, Ricardo Bizarra.

Para o professor Axcar, o mais comum é o jovem de hoje ter os primeiros contatos com a política por meio de movimentos sociais. "Os jovens não se veem representados, principalmente porque a nossa sociedade não é feita para o jovem, é uma sociedade adulta. Quando percebem que há uma defesa comum, têm um interesse maior em participar. Principalmente, porque a política para o jovem sempre foi colocada de forma impositiva, carregada de culpa. Então, quando ele se vê confrontando esta culpa, ele entende este caminho pelos movimentos sociais, que são grandes ferramentas de inserção. Dali, ele pode se identificar com um partido ou outro e acabar entrando neste universo", ponderou.

FILOSOFIA E SOCIOLOGIA

As duas disciplinas contribuem para que o jovem possa debater sobre política em sala de aula, na opinião de Khalil. "A ditadura afastou os jovens da política, a filosofia e a sociologia foram retiradas dos currículos, exatamente por esta possibilidade questionadora que têm. Com sua volta no ensino médio, essas discussões passaram a permear a sala de aula. Isso foi fundamental, porque os professores tiveram a liberdade de falar com o jovem sobre as vertentes ideológicas, correntes e conceitos políticos clássicos".

FAMÍLIA E APTDÃO

"Primeiro vem (a discussão política) dos pais, a gente consegue perceber isso muito claramente em sala de aula. Então, a preferência política se dá no primeiro momento em casa, já que a família é a instituição social mais importante que temos."

INDUZIDOS OU NÃO?

Sobre a influência dos professores sobre os jovens para definir sua ideologia política, Axcar assim se posicionou. "Não acredito nisso. Eu estou na sala de aula há 10 anos e a forma como as disciplinas (sociologia e filosofia) são tratadas ainda é hierarquizada em relação as outras. O professor de filosofia tem só uma aula semanal, enquanto o de português tem cinco. Mas, se estamos num momento delicado como este da política, estamos aqui exatamente pela falta da filosofia e sociologia. Estas duas disciplinas têm o papel de trazer para o jovem esta formação política e ética. Na universidade, temos uma preferência, porque lá entendemos que o jovem é um adulto, e que a partir dos 18 anos podem fazer suas escolhas, por isso não acredito em uma indução ou doutrinação no sentido de que serão cooptados".

INFLUENCIADORES

Sobre o fenômeno da internet na formação política dos jovens, ponderou: "As redes sociais têm força muito grande. Temos que pensar que a forma de se engajar na política, a forma de luta política não se dá apenas pelo partido, mas também pelas redes sociais, já que sua possibilidade de mobilização é muito grande. A estrutura partidária é fundamental, mas há uma grande crise moral, ética e ideológica dentro dos próprios partidos".

POLARIZAÇÃO

O fenômeno da polarização na política também está na sala de aula, segundo Khalil. "A polarização aparece na sala de aula e os professores de sociologia e filosofia estão trabalhando as diferenças. Não tem como falar de sociologia sem falar de (Karl) Marx, por exemplo, sem falar de comunismo e socialismo. Ao mesmo tempo que não tem como não falar de Adam Smith e (John Maynard) Keynes. Mas uma coisa é meu posicionamento particular, outra é o da sala de aula. Não podemos duvidar da capacidade de discernimento dos jovens", afirmou.

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