Viver Bem

Troque o cardápio, mas mantenha a saúde

Evelin Azevedo
| Tempo de leitura: 2 min

Os brasileiros têm sido obrigados a fazer malabarismos para manter o padrão à mesa sem estourar o orçamento. Mas a questão está além dos preços e da dieta que mais agrada ao paladar. A comida tem como função fornecer os nutrientes necessários para o bom funcionamento do corpo, e nesse aspecto é possível seguir um cardápio com trocas de ingredientes equivalentes do ponto de vista nutricional - e com menos gasto.

Na hora da substituição, o ideal é manter os produtos na mesma categoria de alimentos, orienta a nutricionista Priscilla Primi, colunista do jornal O Globo. Trocar, por exemplo, uma fonte de proteína por outra, um carboidrato por um equivalente, legume por legume, e assim por diante. Isso garante que nutrientes não sejam deixados de lado.

Um prato considerado equilibrado por especialistas é composto por 25% de proteínas, 25% de carboidratos e 50% por alimentos que ofertem uma variedade de vitaminas e minerais, como legumes, hortaliças e frutas. Mas essa não é uma realidade na mesa da maioria dos brasileiros.

A pesquisa "Efeitos da pandemia na alimentação e na situação da segurança alimentar no Brasil", feita em 2021 pelo grupo Alimento para Justiça: Poder, Política e Desigualdades Alimentares na Bioeconomia, mostrou que, na pandemia, houve queda no consumo de alimentos saudáveis, principalmente carne (44%), frutas (41,8%), queijos (40,4%), hortaliças e legumes (36,8%). O ovo teve a menor redução (18%) e o maior aumento (17,8%). Entre as entrevistados em situação de insegurança alimentar, a redução chegou a mais de 85% dos alimentos saudáveis.

Primi afirma que, diante do aumento de preços de itens básicos, a tendência é a migração para alimentos ultraprocessados, que são mais baratos:

"Em vez de comprar um quilo de carne, as pessoas acabam optando pela salsicha. O suco de laranja natural é substituído pelo refresco em pó. O lanche deixa de ser fruta e passa a ser biscoito recheado. Diante das dificuldades, a população opta por alimentos mais baratos e que dão uma maior sensação de saciedade. Mas eles normalmente são os que têm mais açúcar, gordura, corantes e conservantes", afirma a nutricionista.

Comentários

Comentários