O perfil do eleitorado brasileiro tem mudado nos últimos anos. As eleições de 2022, além da alteração causada pelo ingresso recorde de jovens eleitores em relação à eleição passada, passaram a contar também com número maior de mulheres e idosos. Este último grupo, de pessoas com mais de 60 anos, por exemplo, já soma cerca de 30 milhões de eleitores ou o equivalente a 20,4% do eleitorado neste ano, fatia maior que nas últimas eleições presidenciais, quando chegava a 18,8%.
No quadro Café com Política do programa Cidade 360º desta sexta-feira (27), o jornalista Zarcillo Barbosa e o analista de política e escritor Rafael Moia Filho se uniram ao diretor de jornalismo do Jornal da Cidade, João Jabbour, ao especialista em marketing político e comunicação eleitoral, Kleber Santos, e ao jornalista e apresentador do programa, Ricardo Bizarra, para analisar como essas mudanças podem afetar os rumos da política nacional e as próprias eleições, entre outros assuntos debatidos ao vivo, nos canais da 96FM e do JC nas redes sociais e Internet.
Para Rafael Moia, o aumento no número de eleitores mais experientes reflete o momento vivido pelo Brasil como um país que está envelhecendo em sua pirâmide etária. "Há 30 ou 40 anos nós nem sonhávamos com este tipo de situação, com este montante de mais de 30 milhões de brasileiros acima de 60 anos, e hoje é uma realidade", afirmou.
BRANCOS E NULOS
Porém, para o analista de política, esse grupo específico de eleitores experientes não deve definir o resultado das eleições, assim como também não acredita que a escolha de jovens ou do grupo intermediário, entre 21 e 59 anos, é que decidirá. Mas, sim, o voto que não será dado a nenhum dos candidatos. "Na minha opinião, quem vai decidir a eleição é o contingente gigantesco que deixa de votar. Ou seja, abstenção, (votos) nulos e brancos, que já chegaram a 30% ou 40% nas últimas eleições", avaliou.
Zarcillo Barbosa reforçou que a representatividade de quem anula ou vota em branco poderia ser ainda maior se o voto não fosse obrigatório no Brasil. E acredita que o segmento idoso, assim como outros do eleitorado, não vota em bloco ou mesmo alinhado a uma posição única, após provocação de Jabbour sobre para quem iriam os votos desse contingente de 30 milhões de eleitores.
Considerando que os idosos foram alvo de fake news recentemente, quando foi divulgado que o título de eleitores com mais de 70 anos estaria cancelado - o que é mentira, o apresentador Ricardo Bizarra questionou sobre o quanto este público pode ser influenciado por estas situações.
MAIS IDOSOS
Para o especialista em marketing político Kleber Santos, a importância do idoso precisa ser considerada, por ser esta a eleição com maior número deste tipo de eleitor na história. "Esta eleição é realmente diferenciada. Só no Estado de São Paulo, um em cada cinco eleitores tem mais de 60 anos. É um peso bastante grande. A pauta do idoso está ganhando espaço. Existe muito idoso arrimo de família. Então, o idoso terá uma importância grande nas eleições", avaliou.
A importância dessa faixa etária foi exemplificada pelo diretor de jornalismo do JC, João Jabbour, ao mencionar pesquisa que revela a influência deste público contra a discussão e aprovação de pautas mais ligadas à esquerda, como a legalização do aborto e do uso de drogas, enquanto, por outro lado, apoiariam fortemente a democracia.
BOLSO DECIDE
Mas, na opinião de Zarcillo e Rafael, apesar dos números expressivos, os idosos não devem, de fato, definir o resultado das urnas. "Essa questão de ter muito mais idosos, mais mulheres, mais negros ou pardos no Brasil, infelizmente, não funciona como coesão de ordem a influir diretamente nas eleições", afirmou Zarcillo. "É óbvio que no decorrer da campanha as questões ligadas a este público tendem a ser mais discutidas. Mas são as propostas de campanha e o que o eleitor está sentindo no bolso e no seu cotidiano é que vão decidir a eleição ou o voto, pelo menos", acredita Rafael.
O Café com Política de ontem, disponível em podcast no site www.jcnet.com.br (acesse no alto da página Cidade 360º), e em vídeocast, na conta do JCNET no Youtube, discutiu também as pesquisas desta semana e os fatos mais marcantes do período, como a renúncia de João Doria e a sequência da polarização entre Lula da Silva e Jair Bolsonaro.