Em meio a uma escalada de casos de crianças doentes nesta época do ano, a Secretaria de Saúde de Bauru enfrenta um grande obstáculo no atendimento nas UPAs: a falta de pediatras. De acordo com a pasta, tem sido cada vez mais difícil contratar profissionais com a especialidade para os plantões municipais e, para piorar, dez deles que atuavam como servidores saíram recentemente. A preocupação, inclusive, fez a secretária de Saúde, Alana Trabulsi, passar a cogitar utilizar clínicos sob supervisão para atender crianças em casos não urgentes.
O problema ficou evidente no final de semana passado, quando faltaram pediatras na UPA Bela Vista. O fato, além de sobrecarregar e gerar uma extensa fila de espera na UPA Geisel, expôs esse "calcanhar de Aquiles" no atendimento infantil da rede pública.
Trabulsi confirma que a Fersb, que gerencia as UPAs, tem relatado dificuldades na contratação de pediatras para os plantões municipais. Por isso, veio a ideia de colocar clínicos para prestar esse serviço.
A medida foi apresentada pela secretária após um questionamento feito pelo vereador Coronel Meira (União Brasil), durante audiência pública, na Câmara Municipal, na última quarta-feira (25). Além da situação ocorrida na UPA Bela Vista, o parlamentar cobrou explicações sobre a exoneração recente de dez pediatras que atuavam como servidores da Saúde.
Alana Trabulsi justificou que o valor base pago pelo município por plantões não tem sido o problema de Bauru. Segundo ela, o maior volume de atendimentos (decorrente das mudanças no tempo e da aproximação do inverno) tem feito com que os pediatras optem por ficar nos seus consultórios, ao invés de dar plantões pela Fersb nas unidades públicas. "O pessoal da rede particular e da região, Lençóis Paulista e Agudos, também está com dificuldades com relação aos pediatras em pronto atendimento", disse a secretária.
EXONERAÇÕES
Ela detalha que o município conta com quadro atual de 42 pediatras. Sobre as exonerações, Trabulsi explicou que a maioria das saídas ocorre desde o ano passado, porque os profissionais que possuem muito tempo de casa não poderiam dar plantões extras, uma vez que, com isso, suas remunerações totais superariam o limite do teto salarial da prefeita, que não é reajustado há três anos.
"Quando a Fersb assumiu, foi feita uma redistribuição. E quem não conseguiu se adaptar com o que o município podia ofertar, acabou saindo", comentou a secretária, complementando que alguns médicos teriam cobrado trabalhar em unidades e horários específicos. "Não tem como deixar o profissional em um horário sem sala e sem atendimento na unidade, apenas para que ele cumpra o vínculo com a prefeitura, já que a população precisa dele em outros momentos".
Também presente na audiência, Pastor Bira (Podemos), que é presidente da Comissão de Economia da Câmara, propôs chamar uma discussão sobre o aumento do salário da chefe do Executivo, para que seja possível viabilizar um teto maior aos servidores plantonistas.
SOB SUPERVISÃO
Sobre a possibilidade de cobrir o desfalque dos pediatras com clínicos, a secretária disse aos vereadores que uma portaria do Ministério da Saúde prevê que, conforme o porte da unidade, a obrigação é apenas com o número de médicos disponíveis, e não com o tipo de especialidade dos profissionais que atenderão no local.
"Conversei com o Jurídico [da prefeitura] e o Cremesp também para vermos uma solução assim: oferecer atendimento infantil com supervisão da pediatria. Pelo menos, ter um pediatra em cada unidade, Bela Vista e Geisel, e poder o restante ser clínico e ter experiência em pediatria para fazer o atendimento de casos verde e azul, que não são urgência e emergência em si. Pelo Cremesp, isso é legal, porque não será atendimento pediátrico, mas sim infantil com supervisão da pediatria. Então, vamos checar como estão as escalas nas unidades, para saber se tem um em cada horário, e então manter isso", citou.
Embora Trabulsi tenha admitido o desfalque de, pelo menos, dez pediatras na pasta e a dificuldade na contratação de profissionais para cumprir escala, ela ressaltou que o final de semana passado foi a primeira vez que a Fersb registrou furo na escala desde quando assumiu o serviço nas UPAs, em 5 de maio.
"Foi em um dia e meio período", enfatizou ela, sobre o problema na UPA Bela Vista. "Não recusamos atendimento, deslocamos um clínico. Só quem não aceitou é que procurou a pediatria na UPA Geisel", finalizou a secretária.