Atentos à repercussão dos memes, pequenos negócios têm apostado no bom humor para alavancar vendas de doces, camisetas e até panos de prato. Ainda assim, as empresas devem ter atrativos além da graça para lidar com a efemeridade das piadas e fidelizar os clientes.
O bentô cake, bolo com 10 cm de diâmetro vendido em uma marmita (bentô, em japonês), viralizou no segundo semestre de 2021 e há três meses foi incluído no menu da Lariê Brigaderia, de São Paulo. De aniversário de namoro a férias, o minibolo se encaixa em comemorações diversas e é procurado sobretudo para presentear - por isso, a decoração pode trazer piadas internas, bordões e desenhos do Flork, personagem comum nas figurinhas de WhatsApp.
A confeiteira Larissa Frazato, 22 anos, dona da Lariê, tentou resistir à tendência, mas incluiu o bolinho no cardápio devido à demanda crescente. E ela acabou atraindo clientes para outros produtos do cardápio.
Embora produtos bem-humorados sejam positivos para a visibilidade e o faturamento, é fundamental adotar outras estratégias para ser lembrado e para formar uma clientela consolidada, afirma Giuliana Isabella, professora de marketing e comportamento do consumidor do Insper. "O negócio pode ser engraçado, mas não pode ter esse único diferencial, porque isso é pouco para garantir o sustento a longo prazo."
Com os bentôs, a Demi Plié, de Campinas (SP), viu as vendas crescerem quando o delivery da doceria começava a cair devido à flexibilização de regras para conter a Covid-19. Maira Lindissey, 28, dona do negócio, ainda não produzia bolos, mas fez cursos e entrou na onda em agosto de 2021. Hoje, a Demi vende de 100 a 150 unidades por mês, a R$ 50 cada.
Helder Haddad, professor de marketing e comportamento do consumidor da ESPM, afirma que é arriscado estruturar uma empresa só em memes, pois esses elementos se popularizam rápido, mas têm vida curta.