Tribuna do Leitor

minha mãe

Roberto Purini
| Tempo de leitura: 1 min

movimentação seguia.

Muito querida, me contam,

gostava de pescar.

À tardinha, empunhando seu

caniço, lá ia ela,

voltava ao amanhecer com o

bornal a transbordar,

levando, com alegria, os

peixinhos pra panela.

Era italiana e me dizem, assim

me chamava: "Robertino!"

Entre as recordações, não me

ficou dela, sequer um carinho,

era nenê, ainda, e da memória,

não pude retê-los, no escaninho.

Do sepultamento, sim, me

lembro, era vespertina hora.

O cemitério, no final da rua, eu,

no colo de papai, ele me cobre a

cabeça com um pequeno

lenço e chora.

Comentários

Comentários