Comprometimento e paixão resumem a prática de homens e mulheres que se voluntariam para atuar em diferentes segmentos, levando conforto e acolhimento a pacientes, acompanhantes e funcionários da Maternidade Santa Isabel. Alguns deles já fazem isso há 20 anos, como é o caso do Grupo Irmã Scheilla.
Em uma copa equipada com fogão, geladeira, armários, mesa e banheiro com chuveiro, as voluntárias, carinhosamente chamadas de "amarelinhas", rodiziam em três turnos diários. Na rotina, elas oferecem café, leite, pão com manteiga e bolo caseiro para os acompanhantes de gestantes que passam pelo hospital.
Além disso, as voluntárias visitam os quartos diariamente, oferecendo produtos de higiene pessoal para mamães e bebês. "O voluntariado entrou na minha vida em uma fase difícil e me trouxe sentido", conta a confeiteira Rosilene Aparecida Arcanjo, 39 anos, que, desde 2015, desenvolve ações nesse sentido.
"Um dia, ao visitar um quarto, eu me apresentei, perguntei se precisavam de um kit de higiene e uma moça disse que só queria uma oração. Me surpreendi com o pedido e entendi que o nosso papel vai além", recorda. "Eu aprendi a ser voluntária após ingressar no Centro Espírita Amor e Caridade. Lá, fiz um curso com o então diretor, Richard Simonetti. Ele nos dizia que há pessoas que fazem esse tipo de trabalho porque pensam em receber algo em troca, outras o consideram um dever e algumas são movidas pelo amor", frisa Helen Gonzales, 40 anos, que divide o seu turno, às segundas-feiras, com Rosilene.
Entrosadas, as duas claramente encaram o voluntariado como algo sério. O trabalho foi aprovado por Lucas Leonardo Pereira da Silva, 23 anos, que se sentiu acolhido. "Ajuda a distrair, gostei muito", disse ele, que, no início deste mês, fazia companhia à gestante Giovana, com 12 semanas de gravidez, no Pronto Atendimento da Maternidade.
OUTRAS AÇÕES
A Maternidade também conta com os voluntários do Projeto Cegonha. A iniciativa, idealizada pelo promotor Enilson Komono, garante o transporte de mulheres de baixa renda, que estão grávidas ou acabaram de dar à luz, da Maternidade Santa Isabel para casa.
O principal foco do Projeto Cegonha é evitar que as pacientes e os seus bebês voltem da Maternidade para casa a pé ou de ônibus, já que algumas delas não têm condições financeiras de arcar com o transporte.
O trajeto é feito nos automóveis dos voluntários capacitados e cadastrados no programa. Já a necessidade é atestada pelo Serviço Social da Maternidade, que aciona o motorista da vez por um grupo de WhatsApp.
Outra ação que obilizou diversas famílias cujos bebês nasceram na Santa Isabel foi o ensaio newborn, conduzido pela fotógrafa voluntária Denise Joaquim entre 2018 e 2019. A iniciativa rendeu até uma exposição fotográfica para a Maternidade.
Nesse período, cenas de afeto e carinho entre mães e bebês foram capturadas pelas lentes de Denise, que precisou paralisar a iniciativa durante a pandemia. "Todas essas ações nos enchem de orgulho e alegria, além de contribuírem significativamente para a melhoria da assistência que nós oferecemos. Somos muito gratos a todos os voluntários e a todos os parceiros, que sempre apoiam essas iniciativas de humanização tanto para pacientes como para funcionários", destaca a gerente administrativa da unidade, Doraci de Oliveira Motta, que, há 14 anos, atua na instituição e foi testemunha ocular de todas as mudanças pelas quais o hospital passou. "Para mim, tudo o que a Famesp fez aqui é um sonho", finaliza.