Internacional

Biden faz Putin virar vilão até de inflação

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

Washington - Quando encerrou a ocupação do Afeganistão, em agosto de 2021, o presidente Joe Biden deixou claro que a reorganização militar serviria para se concentrar em desafios maiores, citando a competição com a China. A Rússia ganhou então uma menção secundária. Pois cem dias atrás, a ação de Vladimir Putin na Ucrânia forçou um novo rearranjo de foco na política externa americana.

A Guerra Fria 2.0 com Pequim continua, mas o apoio de Washington a Kiev teve poucos paralelos na história recente dos EUA. O país já aprovou mais de US$ 54 bilhões em equipamentos militares e outros auxílios, ao mesmo tempo que lidera esforços para convencer outros governos a se colocar contra Moscou. Biden anunciou ainda várias rodadas de sanções, que definiu como as mais duras já adotadas.

Ao mesmo tempo, o presidente busca deixar claro que não quer um conflito direto com a Rússia --uma Terceira Guerra Mundial, em outras palavras. Nesta semana, repetiu que não pretende deslocar tropas americanas, tampouco tentar derrubar Putin ou atacar a Rússia, mas disse que manterá a estratégia de enviar armas de ponta para Kiev e tentar sufocar a economia russa.

ESFORÇO E MARKETING

O esforço americano é marcado por gestos simbólicos. Em Washington, as cores da bandeira da Ucrânia são exibidas em fachadas, e tulipas azuis e amarelas foram plantadas no jardim em frente à Casa Branca. Em março, Biden foi à Polônia, a poucos quilômetros do front. A primeira-dama Jill esteve numa cidade ucraniana no Dia das Mães. E o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, discursou por vídeo para o Congresso dos EUA, rara ocasião em que o plenário parou para ouvir um líder estrangeiro.

Americanos e europeus anunciaram várias medidas em conjunto contra a Rússia e de apoio à Ucrânia, e Biden viu com bons olhos a ampliação da Otan, aliança militar que os EUA lideram, com o processo de adesão de Suécia e Finlândia. 

A pressão dos EUA sobre a Rússia veio também em arenas internacionais, especialmente no âmbito da ONU. Moscou tem poder de veto no Conselho de Segurança, mas Washington buscou vitórias simbólicas, como a condenação da invasão na Assembleia-Geral, aprovada por 141 votos em março, para demonstrar o isolamento de Putin. O Brasil votou a favor da resolução e recebeu elogios americanos por isso.

ECONOMIA GLOBAL

Com o peso da guerra na economia global, para o público americano Biden passou a usar a Rússia como espécie de bode expiatório para a inflação, seu principal problema econômico. Até em comunicados oficiais a questão passou a ser chamada de "Putin hike prices", escalada de preços de Putin, enquanto a oposição prefere falar em "Bidenflation" (bidenflação).

"Por causa da guerra de Putin, menos petróleo chega ao mercado, e a redução da oferta eleva os preços na bomba para os americanos", disse a Casa Branca em um anúncio de medidas contra a alta de preços. Ainda assim, Biden reconhece que parte das dificuldades é reflexo das próprias sanções americanas --ele então busca convencer os americanos de que "liberdade não é grátis".

 

Comentários

Comentários