A quatro meses do pleito, 70% dos eleitores brasileiros ainda não decidiram o voto. Essa é a opinião de Peter Abreu, diretor do Ipep Pesquisas e da Associação Brasileira de Consultores Políticos (Abcop). O especialista em pesquisas eleitorais foi entrevistado na última sexta-feira (3) no programa Café com Política, do JC e da 96FM. Para ele, o voto ideológico, ou seja, aquele ligado às extremas direita ou esquerda e, portanto, já cristalizado, terá menos impacto nas urnas do que o eleitor que ainda busca ouvir propostas. Inclusive, mulheres e jovens devem ter atenção especial.
Além dele, Marco Antônio Pereira da Silva, vice-diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Bauru e presidente da Plasútil, falou no programa sobre os efeitos da polarização ideológica nos negócios (leia mais abaixo).
'ESTÃO ESPERANDO'
"Esse voto ideológico aumentou um pouco nos últimos anos em virtude das discussões mais acaloradas entre esses grupos distintos. Mas, somados, dariam 30% no máximo. Portanto, a imensa maioria até fala que vota no candidato A ou B, mas, na verdade, está esperando para ver o que vai acontecer. Até mesmo se surgirá uma terceira via confiável", aponta Abreu, que desde 1992 atuou em mais de 500 campanhas eleitorais e analisou a opinião de mais de 2 milhões de pessoas.
Na visão do especialista, quando a propaganda eleitoral começar, a intenção de voto tende a mudar abruptamente. "Pesquisa não é prognóstico, é um diagnóstico. Não prevê o futuro. Na verdade, apenas mostra o que aconteceu durante a realização dela".
AMOSTRAGEM
Indagado sobre a confiabilidade e a metodologia das pesquisas, ele explicou que o segredo é a distribuição correta da amostra. "Quando você tem 2 mil entrevistas, ela fica muito próxima da realidade e a margem de erro é de, no máximo, 2%, desde que tenha uma distribuição bastante coerente, representando exatamente aquela população. Então, se sabemos que 52% dos eleitores são mulheres, nós temos que ter 52% de mulheres nessa amostra, por exemplo".
Ainda de acordo com Abreu, o índice de acerto das pesquisas eleitorais no Brasil chega perto de 95%, considerado um dos melhores do mundo.
MULHERES E JOVENS
Outra avaliação do presidente da Abcop é a necessidade de os candidatos mirarem suas campanhas nas mulheres. "Elas representam, hoje, quase 53% dos votos. A mulher é mais impactada do que o homem em muitos serviços públicos. Ela se preocupa mais com a educação dos filhos, com a saúde, sofre mais com a insegurança no País. Portanto, podem ser decisivas".
Ainda segundo Peter Abreu, as estratégias eleitorais também deveriam se preocupar mais com os jovens. Neste ano, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Brasil ganhou 2 milhões de novos eleitores entre 16 e 18 anos.