Como forma de protesto contra a prisão do filho e alegando que ele é inocente, um casal se acorrentou em frente ao Fórum de Bauru, durante a audiência de instrução do caso na tarde desta terça-feira (7). Leonardo Rogério Rodrigues Pacheco, 26 anos, foi detido há oito meses pela Polícia Militar (PM), acusado de tráfico de drogas. Segundo a corporação, ele estaria atuando como olheiro para um trio que fracionava porções de maconha em um imóvel na região do Jardim TV.
De acordo com o BO, em 28 de outubro de 2021, uma equipe de Força Tática estava em patrulhamento pela Vila Garcia, quando teria avistado um homem correndo para dentro de uma construção por conta da aproximação da viatura.
O suspeito, que seria Leonardo, foi seguido pelos policiais e abordado já dentro dessa obra. Neste terreno, em outro cômodo, outros três homens estariam fracionando maconha.
Leonardo foi apontado como o olheiro do trio e preso em flagrante por tráfico. Consta ainda no BO que o investigado teria confessado a função aos PMs.
IDA AO CABELEIREIRO
Contudo, a versão narrada pela família é diferente. Inclusive, eles negam que Leonardo tenha assumido o crime. De acordo com a esposa Gabriela Vitória Rodrigues da Silva, de 23 anos, no dia dos fatos, ela e o marido viajariam para a praia e, pouco antes do passeio, ele teria ido ao cabeleireiro.
"O Leonardo e uma testemunha me disseram que ele ficou aguardando na calçada, no telefone com o pai dele, o cabeleireiro finalizar um outro corte. No mesmo terreno do salão, há uma construção ao lado. E, pouco tempo depois que estava ali na frente, o Leonardo disse que viu um homem entrando armado no salão. Ele saiu correndo para dentro da construção, porque não sabia o que era aquilo. Mas era um policial à paisana. Em seguida, chegaram várias viaturas", relata a esposa.
Foi nesta construção para onde Leonardo correu que o trio foi flagrado fracionando drogas. Porém, segundo a esposa, mesmo ele relatando que não sabia da existência de entorpecentes, acabou preso junto com os outros suspeitos e apontado como olheiro. Além disso, ainda de acordo com a família, o celular dele desapareceu no dia da ocorrência, sendo encontrada apenas a película, quebrada.
CARTAZES E FAIXAS
Na tarde desta terça, cerca de oito meses após a prisão, foi realizada a primeira audiência de instrução do processo. Familiares de Leonardo se reuniram em frente ao Fórum de Bauru com cartazes e faixas pedindo sua liberdade. Inclusive, os pais dele, Anilton Aparecido Pacheco, de 50 anos, e Ana Carla Rodrigues, de 51 anos, se acorrentaram como forma de protesto.
"Para nós, não existe a possibilidade de ele estar trabalhando como olheiro. Por isso, estamos nos desdobrando tanto para pagar advogados e estamos aqui. Ele está pagando por um erro que não cometeu. É difícil, porque é a palavra da polícia, do Estado, contra a nossa. Mas nós vamos fazer de tudo para provar que ele é inocente", afirma o pai. "Acredito nisso não por ser mãe, mas porque sei da índole dele como pessoa. Tudo o que ele conquistou foi suado e ele merece usufruir", completa Ana Carla.
Agora, o próximo passo do processo será a apresentação dos memoriais, primeiro pelo Ministério Público e, depois, pela defesa. Em seguida, as partes aguardam o resultado da sentença, que deve ser divulgada em cerca de 30 dias.
Procurada pela reportagem, a PM reforçou, por meio de nota, a versão dos fatos descrita no boletim de ocorrência. Alegou, ainda, que o advogado de um dos detidos esteve presente na ocasião.