Brasília - O ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, afirmou nesta quarta-feira (8) que não houve atraso das Forças Armadas para atuar na busca do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, desaparecidos desde domingo (5) na região do Vale do Javari (AM).
"Tão logo surgiu a notícia, passei uma mensagem ao grupo dos comandantes das Forças [Armadas] e mandei imediatamente colocar o que tinha de perto à disposição... [O Vale do Javari] é uma área crítica, muito sensível, tem muito problema na área. A gente não tem a noção do que pode ter acontecido", disse.
"A gente torce e reza para que eles sejam encontrados os dois com vida, sãos e salvos. O esforço da Defesa da Defesa com as Forças para a gente ajudar nas buscas dos dois não há dúvida."
Segundo Paulo Sérgio, a impressão de que houve atraso para o trabalho de buscas das Forças Armadas é resultado da dificuldade de acesso ao Vale do Javari.
"O helicóptero mais próximo é de Manaus, e ele estava pronto, na manhã desta terça (7), para levantar voo e atuar na área. A Marinha da mesma forma. Não houve retardo e, considerando as distâncias e o tamanho da Amazônia, pode parecer que houve retardo."
Phillips e Pereira viajavam pelo Vale do Javari, no Amazonas. Segundo a Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari) e o Opi (Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato), o indigenista vinha sofrendo ameaças.
Dom Phillips, que é colaborador do jornal britânico The Guardian, e Bruno Pereira, servidor licenciado da Fundação Nacional do Índio (Funai), foram vistos pela última vez na manhã de domingo (5), reserva indígena do Vale do Javari, a segunda maior do país, com mais de 8,5 milhões de hectares.
PRISÃO
A Polícia Militar do Amazonas afirmou que um homem, que seguiu Pereira e Phillips pelo rio Itacoaí na manhã em que eles desapareceram, foi preso na terça-feira (7) por porte de munição proibida. Ou seja, a prisão, não tem relação direta com o caso.
O homem, conhecido como Pelado, foi preso em flagrante por "posse de munição de uso restrito e permitido", segundo confirmou a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas - com ele, foram apreendidos chumbinhos e também balas de fuzil. Pelado, que atende também pelo prenome de Amarildo, é uma das cinco pessoas que até agora foram ouvidas.